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quarta-feira, 16 de março de 2016
I might be a "Multipotentialite"...
Porque nem todos sabemos claramente qual o nosso rumo... E não há mal nisso...
Quantas vezes não me senti uma ave rara por não ter um percurso profissional marcado por objectivos claros em clara ascensão, ou até por continuar a estudar, coisas diversas, apenas pelo prazer de aprender!!!
A idade tem-me trazido a sabedoria para não me preocupar em encaixar nos moldes ditados pela sociedade e a aceitação da diferença e das minha próprias escolhas sem julgamento ou arrependimento.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
I carry your heart with me...
Há dias em que a distância dói mais. Não só nos dias de festejos e felicidade mas também nos dias de dor, em que queremos dar e receber o colo de quem nos é mais querido.
Hoje o chão foi-te roubado debaixo dos pés de novo. Hoje questionas de novo os porquês, o sentido de tudo e sentes o coração apertado pela perda e pela injustiça.
Hoje queria estar ao pé de ti...
As minhas palavras de nada valem, talvez o meu abraço apertado pudesse ajudar a não te sentires só. Mas as escolhas que tomei têm um preço e hoje implicam que estejamos separadas por 18,166 kms.
Contudo, trago-te comigo no pensamento e no coração. Sempre. Hoje talvez mais um pouco que ontem...
E como me falta a varinha de condão que queria ter para te sarar as feridas, deixo-te com o poema que veio ao pensamento esta manhã quando pensei em ti...
I carry your heart with me(I carry it in
my heart)I am never without it(anywhere
I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
I fear
no fate(for you are my fate, my sweet)I want
no world(for beautiful you are my world, my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
my heart)I am never without it(anywhere
I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
I fear
no fate(for you are my fate, my sweet)I want
no world(for beautiful you are my world, my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Fragilidade...
Há notícias que nos fazem sentir um soco no estômago, uma tremenda falta de ar e a total incompreensão sobre o absurdo da vida. Mesmo quando os afectados não passam de meros conhecidos, pessoas com a quais nos cruzámos um par de vezes em festas de amigos, imaginar sequer o seu pesadelo dói de uma maneira inesperada.
A vida é tão efémera e frágil que, quando nos apercebemos disso, viver assusta. Como se pode seguir em frente, sonhar, sorrir, quando o impensável se torna real.
Confesso que me senti tremendamente triste, revoltada e principalmente desorientada. Ninguém merece viver a perda de um filho. Ninguém merece viver com o coração em chagas para todo o sempre.
Na minha família, há um ramo de quatro irmãos (o meu pai incluído) que passaram por essa dor e garanto-vos que é uma ferida que não sara. As circunstâncias são todas diferentes, umas até mais compreensíveis do que outras, talvez, mas o coração de pai e mãe vive desde esse dia destroçado.
Quem de fora assiste com incredulidade e impotência, apenas pode abraçar e mimar os bebés da sua vida, dar graças por tudo de bom que a vida lhe proporcionou e sentir um tremendo respeito por tudo aquilo que a todos foge entre os dedos sem que nada o possa evitar.
A vida segue, não pára para ninguém, e nós como defesa refugiamo-nos nas nossas rotinas. Viramo-nos para as tarefas do dia-a-dia, preenchemos a lista das compras, estendemos a roupa, conduzimos para o trabalho, sem nos permitirmos em momento algum pensar na nossa própria efemeridade.
A vida é tão efémera e frágil que, quando nos apercebemos disso, viver assusta. Como se pode seguir em frente, sonhar, sorrir, quando o impensável se torna real.
Confesso que me senti tremendamente triste, revoltada e principalmente desorientada. Ninguém merece viver a perda de um filho. Ninguém merece viver com o coração em chagas para todo o sempre.
Na minha família, há um ramo de quatro irmãos (o meu pai incluído) que passaram por essa dor e garanto-vos que é uma ferida que não sara. As circunstâncias são todas diferentes, umas até mais compreensíveis do que outras, talvez, mas o coração de pai e mãe vive desde esse dia destroçado.
Quem de fora assiste com incredulidade e impotência, apenas pode abraçar e mimar os bebés da sua vida, dar graças por tudo de bom que a vida lhe proporcionou e sentir um tremendo respeito por tudo aquilo que a todos foge entre os dedos sem que nada o possa evitar.
A vida segue, não pára para ninguém, e nós como defesa refugiamo-nos nas nossas rotinas. Viramo-nos para as tarefas do dia-a-dia, preenchemos a lista das compras, estendemos a roupa, conduzimos para o trabalho, sem nos permitirmos em momento algum pensar na nossa própria efemeridade.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Ter ou não ter filhos... Eis a questão...
Sou mulher, tenho 36 (quase 37) anos, sou casada há 10 anos e não tenho filhos. Aparentemente isto faz de mim um ser estranho, com problemas psicológicos e emocionais diversos, a minha vida é despojada de sentido e não tenho quem cuidará de mim na minha velhice! Poupem-me! Por favor, poupem-me!
Desde há muito que a pergunta "então quando é que têm meninos?" nos é lançada por tudo quanto é gente. Desde as vizinhas dos pais, os familiares, os amigos, os colegas de trabalho, o sr. do café, a sra das limpezas, o carteiro, o varredor da rua, etc, etc, etc. Como os "meninos" não apareceram e a resposta sempre foi muito vaga, noto que com o tempo esta pergunta foi deixando de ser tão frequente entre quem nos conhece. Mesmo assim, sinto que há sempre quem continue curioso e "preocupado" com a questão que apenas me diz respeito a mim...
A mim isto sempre me tirou do sério pois a resposta que sempre me apetece dar é "e se te metesses na tua vida e me deixasses em paz, ahm?!". Porque raio é que eu tenho de parir para ser mais mulher? Mas final quem é que manda no meu útero?
Ultimamente, a pergunta ganhou novos contornos e tem sido talvez ainda mais intrusiva "Queres ter filhos?".... Será que é assim tão estranho que eu não saiba categoricamente a resposta a esta pergunta? Se eu própria não tenho certezas como e que eu posso responder a terceiros sobre algo que é tão íntimo e tão pessoal?! E não seria de esperar que eu não queira ter conversas filosóficas de tamanha importância com o leiteiro?!
Durante anos acreditei que nunca iria ter filhos e estava feliz e tranquila com essa decisão. Depois houve uma altura em que julguei que isso fosse acontecer mas a vida teve outros planos para mim e sei que foi melhor assim. Hoje não consigo dizer a 100% que não gostava, ou que não quero ter filhos, no futuro (que tenho plena consciência não poderá ser tão distante quanto isso) mas neste preciso momento ainda não faz parte dos meus planos.
Gosto de crianças, tenho jeito para miúdos que normalmente gostam das minhas palhaçadas, consigo brincar e manter autoridade ao mesmo tempo, e tenho muita experiência em mudar fraldas, dar banho, dar de comer, contar histórias antes de ir dormir, etc. Tenho 5 sobrinhos e vários priminhos mais novos por isso sempre fui a babysitter de serviço ;-) Aparentemente, isto causa ainda mais confusão na mente dos curiosos pois não podem desculpar a minha escolha com a falta de carinho para dar e com o "egoísmo típico daqueles que não querem procriar".
Ontem fomos visitar uma bebé que nasceu na semana passada. É muito pequenina e não pesa mais que uma pena ;-p Gostei de ver os pais babados e felizes com a sua princesinha. Cheguei a casa e deparei-me com este artigo que me fez rir e acabou por me fazer escrever este post.
O meu excerto favorito: "Kids give your life meaning!" - No, kids give YOUR life meaning. Lots and lots of other things give my life meaning. And also, I hope kids aren't the only thing that give your life meaning, because that makes me sad."
Desde há muito que a pergunta "então quando é que têm meninos?" nos é lançada por tudo quanto é gente. Desde as vizinhas dos pais, os familiares, os amigos, os colegas de trabalho, o sr. do café, a sra das limpezas, o carteiro, o varredor da rua, etc, etc, etc. Como os "meninos" não apareceram e a resposta sempre foi muito vaga, noto que com o tempo esta pergunta foi deixando de ser tão frequente entre quem nos conhece. Mesmo assim, sinto que há sempre quem continue curioso e "preocupado" com a questão que apenas me diz respeito a mim...
A mim isto sempre me tirou do sério pois a resposta que sempre me apetece dar é "e se te metesses na tua vida e me deixasses em paz, ahm?!". Porque raio é que eu tenho de parir para ser mais mulher? Mas final quem é que manda no meu útero?
Ultimamente, a pergunta ganhou novos contornos e tem sido talvez ainda mais intrusiva "Queres ter filhos?".... Será que é assim tão estranho que eu não saiba categoricamente a resposta a esta pergunta? Se eu própria não tenho certezas como e que eu posso responder a terceiros sobre algo que é tão íntimo e tão pessoal?! E não seria de esperar que eu não queira ter conversas filosóficas de tamanha importância com o leiteiro?!
Durante anos acreditei que nunca iria ter filhos e estava feliz e tranquila com essa decisão. Depois houve uma altura em que julguei que isso fosse acontecer mas a vida teve outros planos para mim e sei que foi melhor assim. Hoje não consigo dizer a 100% que não gostava, ou que não quero ter filhos, no futuro (que tenho plena consciência não poderá ser tão distante quanto isso) mas neste preciso momento ainda não faz parte dos meus planos.
Gosto de crianças, tenho jeito para miúdos que normalmente gostam das minhas palhaçadas, consigo brincar e manter autoridade ao mesmo tempo, e tenho muita experiência em mudar fraldas, dar banho, dar de comer, contar histórias antes de ir dormir, etc. Tenho 5 sobrinhos e vários priminhos mais novos por isso sempre fui a babysitter de serviço ;-) Aparentemente, isto causa ainda mais confusão na mente dos curiosos pois não podem desculpar a minha escolha com a falta de carinho para dar e com o "egoísmo típico daqueles que não querem procriar".
Ontem fomos visitar uma bebé que nasceu na semana passada. É muito pequenina e não pesa mais que uma pena ;-p Gostei de ver os pais babados e felizes com a sua princesinha. Cheguei a casa e deparei-me com este artigo que me fez rir e acabou por me fazer escrever este post.
O meu excerto favorito: "Kids give your life meaning!" - No, kids give YOUR life meaning. Lots and lots of other things give my life meaning. And also, I hope kids aren't the only thing that give your life meaning, because that makes me sad."
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terça-feira, 11 de junho de 2013
As minhas viagens de comboio...
| Suiça - Maio 2007 |
Sempre gostei de observar as pessoas à minha volta. Gosto de observar os seus comportamentos, a forma como falam ou como olham para os que as acompanham, a maneira como se vestem, como se entretêm quando viajam sozinhas em transportes públicos.
Por norma, aproveito as minhas curtas viagens de comboio para ler mas mesmo assim olho em meu redor e tento adivinhar para onde vão os outros passageiros, quem estará à sua espera, será esta uma viagem rotineira ou será algo de novo e fora do comum.
Penso nas muitas vezes que fiz este percurso no comboio e nos diferentes estados de espírito: em modo de piloto automático para o emprego, à descoberta ávida da cidade quando nos mudamos, alegre ao encontro do Homer para uma qualquer actividade social, nervosa a caminho de uma entrevista de emprego, carregada de compras e cansada depois de uma tarde a "bater perna" pela Queen Street.
As páginas do livro chamam de novo por mim e deixo-me envolver pela estória que me leva ao continente africano e por momentos esqueço-me deste comboio urbano, das gentes cheias de pressa à saída da Central Station, do destino que me espera.
domingo, 24 de março de 2013
A importância da "carreira"
Devo confessar que nunca fui daquelas pessoas com objectivos definidos, caminhos delineados e a ambição de uma carreira.
Enquanto criança achava que queria ser jornalista quando fosse grande. Quando entrei para a faculdade entrei na segunda opção, Estudos Portugueses, e como gostei muito do curso continuei. No quarto ano, enquanto todos começámos a pensar o que fazer quando acabássemos o curso, logo decidi que não queria seguir a via de ensino. Acabei por fazer uma especialização em Revisão de Texto e julguei ter encontrado uma alternativa. Trabalhei com uma editora por mais de dois anos, em modo de freelancer mas como com a idade passei a ter responsabilidades e a ter contas fixas para pagar, por isso acabei por trabalhar nas mais diversas áreas. Eu passei pelos seguros, pelo ensino de inglês, pelas telecomunicações, pelos recursos humanos e pela formação e controlo de qualidade, etc. etc. (isto em três países diferentes!). Fiz também formações no Cenjor na área de jornalismo, estudei escrita criativa, tirei o CAP, aprendi noções de webdesign, fiz dois cursos de fotografia (à moda antiga, com revelação e uma máquina totalmente manual) e inclusive um curso de teatro no IFICT. Estudei massagem e medicina chinesa (cujos estudos ainda não terminei mas que quero definitivamente continuar!).
Não me arrependo de ter saltitado de emprego em emprego, de ter mudado de país 3 vezes nos últimos 7 anos. As experiências que vivi, as pessoas que conheci e a grande capacidade de adaptação que desenvolvi fizeram de mim uma pessoa muito mais rica intelectual e emocionalmente. E não trocaria isso por nada!
Contudo, tudo isto faz com que tenha de começar sempre do zero quando começo um novo emprego. Algumas foram as vezes em que senti estar a dar dois ou três passos para trás. E por vezes isso acarreta consigo alguma frustração. Embora racionalmente compreenda perfeitamente que assim tem de ser e saiba que isso é o resultado das minha próprias opções.
Aqui tive a sorte de poder explorar mais uma área, a financeira. Fui contratada por uma empresa estável onde existem possibilidades de crescimento e ao fim de 5 semanas estou feliz com esta nova oportunidade e desafio. Contudo, mais uma vez tive de dar um passo atrás e por vezes é frustrante o sentimento de que estão "a ensinar a missa ao padre". Durante o período de formação houve alguns momentos em que senti inclusive alguma condescendência e tive de engolir o sapo com um sorriso amarelo na cara ;-p
A caminho dos 36 anos, sinto que este é momento para parar e reflectir sobre as minha opções, escolhas e o caminho seguir daqui para a frente. Temos muitos amigos que escolheram um percurso muito diferente e lutaram por uma carreira e fico extremamente orgulhosa do atingiram com o seu esforço, trabalho e a sua entrega. Outros seguiram o que era esperado de si, fizeram o percurso dito "normal"(estudos, emprego estável, carro, casa e família) mas hoje vivem frustrados, insatisfeitos, presos a um emprego que não lhes traz prazer e sentem-se tristes por não terem tido a coragem de arriscar.
Não existe uma fórmula perfeita ou correcta. As prioridades variam de acordo com o indivíduo e não há certo ou errado, o preto ou o branco. O importante é que cada um seja fiel às sua convicções, tenha a coragem de seguir os seus sonhos e que encontre a sua própria felicidade!
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Da desilusão
Por vezes desejamos muito algo e imaginamos como vão ser todos os detalhes quando conseguirmos alcançar o nosso objectivo. Quando finalmente abrimos os braços para receber esse presente tão esperado este vem num embrulho inesperado... Os contornos não são o que esperávamos, as condições impostas não eram previstas e o presente perde assim um pouco do seu encanto.
É um trago agridoce que fica na boca e uma alegria que não se atreve já a encher o peito...
Aceitamos o presente, com um misto de gratidão e de desilusão, abrimos os braços ao que de novo entra na nossa vida mas fechamos uma ínfima parte do nosso coração que nos fez sonhar. Olhamos à nossa volta e vemos tudo de bom que nos rodeia, erguemos a cabeça e seguimos em frente de sorriso nos lábios. Mas lá no fundo, ficam marcas indeléveis, como que pequenas cicatrizes, na alma...
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domingo, 3 de junho de 2012
Os Sonhos
A vida vai girando e sorrateiramente vai-nos afastando dos nossos sonhos de sempre. Outros sonhos vão surgindo e alguns são alcançados dando lugar à ilusão que tudo nos corre de feição.
Contudo muitos são os sonhos que vão ficando pelo caminho, esquecidos, abandonados, como se jamais tivessem importado. E a gente vai vivendo, vai sonhando, vai esquecendo e vai seguindo pelo caminho que nos é imposto pelas circunstâncias.
Por vezes sentimos o vazio, um grito abafado de lá longe que nos faz lembrar os tais sonhos, guardados num canto esquecido, cobertos agora de poeira e de teias de aranha. A nostalgia aperta mas fazemos por esquecê-la concentrando-nos em metas mais acessíveis e seguimos caminhando.
Mas o caminho não é linear e damos voltas e voltas para muitas vezes voltarmos à mesma casa de partida. Afinal o sonho ainda persiste, a sua pequena chama ainda brilha no fundo do nosso coração e perante a evidência não o podemos mais ignorar. E sonhar traz consigo um preço demasiado elevado. O preço da desilusão e do fracasso é assustador e o medo limita-nos os passos.
É mais fácil esquecer do que arriscar. É mais confortável olhar para o exterior ao invés de ver o que nos vai cá dentro.
E depois, há sonhos com vida própria que não nos permitem desistir, que gritam alto dentro de nós e tropeçam no nosso caminho nos momentos menos oportunos. São aqueles que nos definem, que nos dão sentido de ser e pelos quais temos mais a perder.
Enchendo o peito de ar, respiro fundo e expiro soprando a poeira que se acumulou em ti. Com carinho pego em ti e restituo-te o teu esplendor. Trago-te assim comigo num coração aberto embora tema que a qualquer momento possas destruir a frágil estabilidade que julguei ter alcançado.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Creative writting

Há anos que queria fazer um curso de escrita criativa. Há uns dez anos atrás encontrei um curso que me pareceu muito interessante mas quando falei com o docente ele pareceu um elitista de primeira apanha, daqueles pseudo-intelectualoides para os quais eu não tenho a mínima pachorra. Claro, que acabei por não me inscrever.
Mas a vontade sempre se manteve. Especialmente, depois da minha amiga Anita ter feito um curso destes e ter publicado uns textos maravilhosos no blogue. Eis que surgiu a oportunidade de me inscrever na Universidade de Hertfordshire. O preço é super simpático e o horário dá para coordenar com o trabalho. Nem pensei duas vezes.
E com o desafio acrescido de escrever na minha segunda língua e não na minha língua materna ;-))
Na aula passada o tema era poesia e o trabalho de casa era escrever um poema sobre alguém que admirávamos, eis o resultado:
Your warmth has given me strength,
Your loved has pulled me through
In challenges
Battles
Successes.
Your heart taught me how to love
Your bravery to never give up.
Everyday without your presence
Is poorer
Darker
Uglier...
I search within myself
My mind, my soul
And I find a climpse of your wisdom
I hear your voice
Your laughter
And am whole again.
You have never left me...
- Posted using BlogPress from my iPad
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Raízes
O verdadeiro equilíbrio consiste em encontrar a medida certa do etéreo e do térreo na nossa vida. Este equilíbrio não é estático mas sim dinâmico por isso há naturalmente momentos em que nos sentimos mais ou menos desenraizados. Se por um lado as raízes são essenciais para a nossa estabilidade por outro lado muitas são as vezes que nos prendem e não nos permitem bater asas e voar.
Constato que em tudo na vida existe esta dicotomia mas nem por isso se torna mais fácil alcançar a harmonia entre os dois pólos. E isso prende-se exactamente com o facto de os pratos da balança estarem em constante movimento.
Ao contrário das árvores, que morrem de pé, quero que as minhas raízes sejam flexíveis e elásticas para que possa viver sempre ao sabor do vento sem nunca me perder.
sábado, 30 de janeiro de 2010
A importância de ser...
Já repararam que quando conhecemos alguém uma das perguntas mais frequentes é: "o que é que fazes?". Como se o que "fazemos" nos definisse de alguma forma. O título ou a profissão servem para que os outros nos coloquem nas suas prateleiras e compartimentos estanques.
Nunca ninguém nos pergunta o que somos! Não será essa pergunta muito mais interessante. Não será essa resposta muito mais sentida e verdadeira.
Isso implicaria um grau de investimento que poucos estão dispostos ou prontos a assumir. Conhecer alguém para lá duma profissão, de um estatuto, de uma postura social exige uma certa abertura que cada vez mais não temos disponível. Vivemos na era do fazer, do concretizar, da gestão por objectivos. Universidade, carreira, casamento, filhos, tudo na tentativa de provar que somos capazes, que somos vencedores na sociedade competitiva que nos rodeia.
Se sou sensível, solidária, carinhosa, atenta, disponível, ou até teimosa, orgulhosa, pragmática, irascível... pouco importa. Conquanto que faça algo que pareça bem... algo que seja facilmente classificável...
Há quem já não saiba ser.
Há quem já não seja capaz de não fazer.
Há quem já não consiga estar a sós consigo próprio e ficar apenas, sem pressas, sem agitação.
Luto contra a maré, cruzo os braços para não fazer e sofro por ainda ser...
Foto: Istambul, Março de 2008
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Mr. Depression and Mr. Loneliness
They come upon me all silent and menacing like Pinkerton Detectives, and they flank me - Depression on my left, Loneliness on my right. They don´t need to show me their badges. I know these guys very well. We´ve been playing a cat-and-mouse game for years now. Though I admit that I am surprised to meet them in this elegant Italian garden at dusk. This is no place they belong.
I say to them, "How did you find me here? Who told you I had come to Rome?"
Depression, always the wise guy, says, "What - you´re not happy to see us?"
"Go away," I tell him.
Loneliness, the more sensitive cop, says, "I´m sorry, ma´am. But I might have to tail you the whole time you´re traveling. It´s my assignment."
"I´d really rather you didn´t," I tell him, and he shrugs almost apologetically, but only moves closer.
Then they frisk me. They empty my pockets of any joy I had been carrying there. Depression even confiscates my identity; but he always does that. Then Loneliness starts interrogating me, which I dread because it always goes on for hours. He´s polite but relentless, and he always trips me eventually. He asks if I have any reason to be happy that I know of. He asks....
.....
I walk back home, hoping to shake them, but they keep following me, these two goons. Depression has a firm hand on my shoulder and Loneliness harangues me with his interrogation. I don´t even bother eating dinner; I don´t want them watching me. I don´t want to let them up the stairs to my apartment, either, but I know Depression, and he´s got a billy club, so there´s no stopping him from coming in if he decides that he wants to.
"It´s not fair for you to come here," I tell Depression. "I paid you off already. I served my time back in New York."
But he just gives me that dark smile, settles into my favorite chair, puts his feet on my table and lights a cigar, filling the place with his awful smoke. Loneliness watches and sighs, then climbs into my bed and pulls the covers over himself, fully dressed, shoes and all. He´s going to make me sleep with him again tonight, I just know it.
Há certos "valentões" que nos perseguem insistentemente e dos quais
dificilmente nos conseguimos livrar. Quando menos se espera, lá estão
eles ao virar da esquina prontos para nos raptar de novo. E por mais que
lutemos há sempre uma parte de nós que se rende à sua força, à sua
implacabilidade, aos seus terríveis encantos...
É uma luta desleal que parece não ter fim... E uma vez estabelecida a
ligação, não podemos esperar que nos esqueçam, pois estarão sempre à
nossa espera. É essa a sua função, é essa a energia que os mantém
vivos...
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Traição

Dissimulada
Aquela que te sorri e que te oferece confiança
Insegura de si, busca em ti o caminho a seguir
Vampiresca
Retira o prazer e o proveito
daquilo que tu construíste
Ignorando a tua dedicação
a tua lealdade, os teus sentidos
Oportunista
Aproveita as tuas distracções,
viagens e retiros para te roubar
Sugar o teu empenho e colher assim os teus louros
Vazia
Aquela que precisa da vida de alguém para se sentir viva
Aquela incapaz de sonhar e de se entregar sem reservas
Cobarde
Quem apunhala os outros
com medo de ser a próxima vítima
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Manhãs esquizofrénicas
A Velha espreita pela janela. Olha a vida lá fora através de um vidro marcado pelo tempo e não reconhece mais a sua rua. Há tanto tempo que não sente o sol na pele, o vento a bater-lhe na cara, o toque fugido de um desconhecido.
Alguém trancou a porta e não voltou. Virou costas sem olhar para trás. A chave, essa, foi esquecida. Algures...
Parecerá cruel a quem nunca tenha sentido o seu abraço. Aquele toque paralisante que nos suga sempre um pouco de alma. O seu beijo malicioso que nos rouba a alegria.
Mas a atracção pelo abismo é grande. E a Velha está sempre à janela... Esperando uma frecha inesperada por onde se possa escapar. Querendo acalmar a sede, tornando cativos os que ainda riem...
sábado, 1 de agosto de 2009
Impassividade
Os dias vão-se somando, cada vez mais iguais. Instala-se a monotonia, a rotina, a preguiça. A vida é adiada, colocada em stand by, esperando um amanhã que tarda em chegar. Um amanhã que será sempre melhor, mais iluminado, cheio de promessas.
O potencial fica engasgado como um nó na garganta. A acção não passa de um sonho acordado enquanto o grito nos aperta os pulmões.
Basta! Deixar a vida correr, escapar-se-nos por entre os dedos sem nunca a agarrar. Fechar os olhos à noite com o peso de mais um dia não vivido.
Quebrar o círculo, vencer as barreiras e superar o medo...
Foto - Delft, Holanda
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