Isto era o que os senhores dos carrinhos de choques gritavam nas feiras a chamarem por nós jovens pré-adolescentes hormonais. E haverá coisa mais parva onde gastar a mesada do que uns carrinhos que andam à roda de uma pequena arena, ligados por cabos eléctricos, ora a fugir ora a chocar de propósito com outros carrinhos?! Mas as hormonas gritavam alto e lembro-me de que era uma maneira divertida de contactarmos com o sexo oposto de forma inocente ;-) Por isso, esta frase traz-me boas recordações de um tempo em que mais uma moedinha era mais uma possibilidade de chocar com o carro do puto giro lá do bairro!
A expressão entrou assim desprevenida para o meu vocabulário e sempre que me encontro numa situação repetitiva lembro-me sempre dos carrinhos de choque das feiras ;-p
Este pequeno interlúdio para vos dizer que nós andamos em mudanças outra vez!!!
Desta vez não vai ser uma mudança tão radical, não envolve outro país ou continente, apenas outra cidade, noutro estado. Deixamos para trás Brisbane, Queensland, em rumo a Sydney, New South Wales. De novo são as oportunidades profissionais que nos levam a mais uma voltinha com a casa às costas!
A minha mãe dizia-me noutro dia que com a minha experiência já podia dar cursos sobre mudar de casa, cidade ou país. E de facto, já tinha material para um livro, eh eh eh eh
O mais importante, a meu ver, é a organização. Eu sei por onde devo começar a empacotar as coisas, as caixas estão enumeradas e sei o que está em cada caixa. Não só facilita para o caso de precisar de encontrar alguma coisa mas ajuda muito na altura de desempacotar tudo de novo. Eu tiro fotos às estantes para saber qual a posição em que estavam os livros, loiças e bibelots. Eu tenho uma lista de serviços que temos de contactar e uma lista de entidades a que temos de avisar da nossa nova morada. E assim, as coisas sequem em piloto automático e sem muito stress.
É sempre uma trabalheira e uma seca mas têm sido as escolhas que temos feito e não me arrependo de nenhuma das nossas mudanças. Em 11 anos de vida em comum, está será a oitava casa, em quatro países e dois continentes ;-)
Agora que as coisas estão encaminhadas estou entusiasmada com o que nos espera nesta nova etapa!
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
sábado, 27 de dezembro de 2014
E passou mais um Natal...
Este é o nosso terceiro Natal no Verão e ainda não consigo sentir o espírito natalício quando estou de calções e havainas! É estranho estar a morrer de calor, entrar num qualquer centro comercial, dando graças pelo ar condicionado, e deparar-me com decorações de Natal, muitas com delas com alusões à neve a ao frio.
Quando ainda vivia em Portugal não ligava muito a esta quadra mas a vida de emigrante faz com que as saudades e alguma nostalgia apertem mais forte nestas alturas. Contudo, o facto de aqui fazer calor e de irmos para a praia faz com que o Natal não passe de mais uma dia no calendário.
Este ano como andamos entretidos com questões maiores não tínhamos grandes planos mas aceitámos o convite de uns amigos portugueses. Éramos 4 casais, sem família cá, sentados à mesa de volta do bacalhau e bolo rei. Conversámos, rimos e trocámos presentes. Foi uma noite bem passada mas não me soube a Natal....
Faltaram-me os sonhos, as filhoses, o arroz doce... Faltou-me a família e o aquecedor ligado... Faltou-me os programas tolos da TV e as conversas com os meus pais em volta da mesa posta para a ceia...
Por isso, a vida voltou rapidamente ao normal e as nossas tarefas não tiveram direito a grandes pausas!
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Carpe Diem...
Ontem o mundo parou com os olhos postos num café em Sydney. Um louco tinha feito dos clientes e empregados de um café no CBD (um total de 17 pessoas!) reféns e obrigou-os a colocar uma bandeira islâmica na montra.
As especulações foram muitas e ao longo do dia ninguém largou as notícias, na televisão, nos jornais online, nas redes de social media. A situação prolongou-se por 17 horas consecutivas e teve um final trágico.
O sentimento de incredulidade estava estampado no rosto de todos. O medo de uma ataque terrorista era grande mas as mensagens constantes do Primeiro Ministro, do Presidente do estado de New South Wales, dos comissários da polícia ao longo do dia pediam para que as pessoas não se deixassem dominar pelo medo.
Sei que é um chavão, mas de cada vez que me deparo com a fragilidade da nossa vida penso sempre que não devemos desperdiçar as coisas boas que temos. Temos de aproveitar ao máximo a magia de cada novo dia e temos de dar graças por tudo o que temos. Pois, de um momento para o outro tudo muda. Carpe Diem...
O meu sogro morreu de um momento para o outro, com um ataque cardíaco fulminante sem nunca ter tido problemas cardíacos. A minha irmã morreu com um cancro no esófago aos 38 anos. Uma das minhas melhores amigas soube na mesma semana que ambos, o pai e a mãe, tinham um cancro terminal. Uns conhecidos nossos acordaram uma manhã e encontraram o seu bebé de 14 meses morto no berço.
Por todas estas e mais algumas experiências, tento gozar o presente por que há alturas em que a vida é simplesmente fodida!
Mas algo de muito bonito e positivo aconteceu ontem na Austrália enquanto este louco mantinha inocentes como reféns. Surgiu uma campanha nas redes sociais, nomeadamente no Twitter, contra qualquer acto de discriminação contra o povo muçulmano. Um povo, uma comunidade, não pode ser condenado pelos actos de um lunático megalómano cujos ideais estavam tão destorcidos que só sabia responder com violência.
A campanha chama-se "I´ll ride with you" e começou com pessoas a oferecerem-se para acompanhar cidadãos muçulmanos que tivessem receosos de apanhar transportes públicos com medo de represálias. Podem ler mais AQUI.
As especulações foram muitas e ao longo do dia ninguém largou as notícias, na televisão, nos jornais online, nas redes de social media. A situação prolongou-se por 17 horas consecutivas e teve um final trágico.
O sentimento de incredulidade estava estampado no rosto de todos. O medo de uma ataque terrorista era grande mas as mensagens constantes do Primeiro Ministro, do Presidente do estado de New South Wales, dos comissários da polícia ao longo do dia pediam para que as pessoas não se deixassem dominar pelo medo.
Sei que é um chavão, mas de cada vez que me deparo com a fragilidade da nossa vida penso sempre que não devemos desperdiçar as coisas boas que temos. Temos de aproveitar ao máximo a magia de cada novo dia e temos de dar graças por tudo o que temos. Pois, de um momento para o outro tudo muda. Carpe Diem...
O meu sogro morreu de um momento para o outro, com um ataque cardíaco fulminante sem nunca ter tido problemas cardíacos. A minha irmã morreu com um cancro no esófago aos 38 anos. Uma das minhas melhores amigas soube na mesma semana que ambos, o pai e a mãe, tinham um cancro terminal. Uns conhecidos nossos acordaram uma manhã e encontraram o seu bebé de 14 meses morto no berço.
Por todas estas e mais algumas experiências, tento gozar o presente por que há alturas em que a vida é simplesmente fodida!
Mas algo de muito bonito e positivo aconteceu ontem na Austrália enquanto este louco mantinha inocentes como reféns. Surgiu uma campanha nas redes sociais, nomeadamente no Twitter, contra qualquer acto de discriminação contra o povo muçulmano. Um povo, uma comunidade, não pode ser condenado pelos actos de um lunático megalómano cujos ideais estavam tão destorcidos que só sabia responder com violência.
A campanha chama-se "I´ll ride with you" e começou com pessoas a oferecerem-se para acompanhar cidadãos muçulmanos que tivessem receosos de apanhar transportes públicos com medo de represálias. Podem ler mais AQUI.
Hoje, no rescaldo destes acontecimentos há um sentimento de tristeza pelas vidas perdidas, pelas vítimas que jamais recuperarão por completo, por nós que perdemos a ilusão de que estamos seguros quando entramos num café.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Fraser Island
Há duas semanas tivemos um fim-de-semana aventura em Fraser Island. Fraser é a maior ilha de areia do mundo e fica a 2h30m/3h de nossa casa.
Foi uma boa experiência com mais oportunidade de testar a minha veia de campista. Desta vez acordei de madrugada com uma espécie de rato marsupial a subir pelo lado de fora da tenda! Agarrei a mão do Homer e gritei "ai, um rato!!!" mas ele continuou a dormir como se nada se passasse! Liguei a lanterna e apontei para o lado de fora para que bichito fosse à vida dele e me deixasse em paz e depois adormeci de lanterna ligada em punho, lolApesar de tudo, acho que estou a ficar cada vez mais capaz de superar os desafios do campismo :-)
Para verem fotos e saberem mais um pouco sobre Fraser Island, vejam o meu relato Aqui
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
domingo, 23 de novembro de 2014
Todas as Palavras de Amor - Ana Casaca
Descobri a Ana C. através do seu blog e desde logo me tornei assídua seguidora. Ultimamente, a Ana C. não tem blogado muito e sinto falta das suas palavras. Quando recebo um update no feedly fico logo entusiasmada de ir ler as suas "crónicas".
Na altura fiquei curiosa de ler o seu primeiro livro que carinhosamente já passeou comigo da Holanda à Áustria onde foi lido, veio em caixas de livros na mudança de país para Inglaterra e depois para a Austrália. Quando soube que ela tinha lançado mais um livro no ano passado entrou logo para a minha lista de compras! Encomendar livros de Portugal para entregar na Austrália é dispendioso e por isso esperei que uma mala de viagem me trouxesse as palavras da Ana.
Li o livro de um tiro e com muito entusiasmo! Gostei dos desencontros, da busca de nós mesmos, das palavras que escrevemos e não dizemos, da rotina do dia-a-dia que vai apagando a luz do nosso viver. A Ana sabe escrever sobre o Amor. A Ana sabe fazer-nos sonhar com um Amor cúmplice onde as palavras são o instrumento e o porto seguro. A Ana sabe tocar-nos e agarrar-nos às páginas que escreve.
![]() |
| Lone Pine Koala Sanctuary |
Gostava de acreditar que na vida muito se poderia resolver em cartas de amor. Gostaria de acreditar que todos temos a capacidade de nos exprimir de uma forma tão cristalina como nas cartas de amor da Ana. Tristemente, não consigo... Talvez algo se tenha já quebrado em mim... E isso é, na minha humilde e leiga opinião, a única falha deste livro. As personagens tem todas elas uma voz semelhante e uma capacidade de expressão (mesmo aqueles que acusam esta lacuna) que não reconheço na vida real, fora das página dos livros.
O mais fascinante para mim é que através do blog e dos seus livros a Ana partilha connosco tanto de si, do seu mundo e do seu coração sem se expor de forma fortuita ou despropositada. Partilha o seu intelecto, o seu sentido de humor apurado e até o seu sarcasmo. Admiro o seu trabalho (ou aquilo que dele conheço) e desejo-lhe os maiores sucessos. Entretanto, a Ana já lançou um novo livro e tenho a certeza que uma edição me chegará em breve às mãos :D
Well done Ana C :D
O mais fascinante para mim é que através do blog e dos seus livros a Ana partilha connosco tanto de si, do seu mundo e do seu coração sem se expor de forma fortuita ou despropositada. Partilha o seu intelecto, o seu sentido de humor apurado e até o seu sarcasmo. Admiro o seu trabalho (ou aquilo que dele conheço) e desejo-lhe os maiores sucessos. Entretanto, a Ana já lançou um novo livro e tenho a certeza que uma edição me chegará em breve às mãos :D
Well done Ana C :D
sábado, 15 de novembro de 2014
Fascínios do dia-a-dia
Há duas coisas que eu adoro em mim mesma. A primeira é a capacidade de rir de mim própria. Eu sou a primeira a partilhar as minhas "aventuras" e a rir pela minha ingenuidade ou comicidade. Desastrada e acelerada como sou, vivo sempre situações caricatas e seria uma pena se perdesse tais oportunidades de riso ;-p A segunda é a capacidade de viver fascinada e feliz com pequenas coisas. Vivo constantemente fascinada pelo mundo à minha volta, fico boquiaberta a ver relâmpagos a iluminar o céu, um arco-íris, um pôr-do-sol e fico feliz com o cheiro de um bolo no forno, lençóis lavados na cama, um lugar de estacionamento à porta.
Isto, porque viver neste país é viver fascinado pela Natureza, pela sua unicidade, pela sua magia. Ao fim de dois anos há muita coisa que se torna comum, até banal, mas para mim continua a ser especial. Sinto-me privilegiada por poder viver nesta comunhão com a Natureza no meio da cidade.
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| Ibis |
Como em Lisboa temos os pombos, aqui temos os ibis. São bem maiores mas andam por todo o lado. Em qualquer jardim ou esplanada lá estão eles a ver se lhes calham algumas migalhas. São inofensivos e convivem bem com os humanos, não têm medo de nós e aproximam-se quanto baste.
| Flying Foxes |
| Eastern Bearded Dragon |
Existe contudo uma espécie pequena, os geckos, que me dão umas valentes dores de cabeça. Os sacanas fazem um barulho irritante, tipo qiqiqeqeqe, e enfiam-se no aparelho de ar condicionado do nosso quarto. Muitas vezes, acordo de madrugada com este barulho. Já tentei de tudo mas não me consigo livrar deles, até bolas de naftalina tentei...
| Lorikeet |
| Kookaburra |
Também muito comuns são os possums. Ao anoitecer é só olhar para as linhas de electricidade e lá estão uns quantos equilibrados tranquilamente, a deslizar quais artistas de circo. Assim que nos vêem param imediatamente que nem estátuas e assim ficam de olhos arregalados. Isso até deu origem à expressão "playing possum".
Outro animal que é comum ver pelas ruas e jardins e que para nós europeus é muito estranho são os perus! Sim, aqui há uma espécie de perus selvagens que se passeiam pela rua com o à-vontade de um humano. Há uns tempos tive um no quintal, a esburacar-me os canteiros em busca de comida. São como os ibis, não têm medo de nós, não nos fazem mal e andam sempre em busca de restos de comida.
Já me habituei a ter estas criaturas a fazerem parte do meu dia-a-dia e confesso que acho o máximo! Fazem-me sentir mais em contacto com a Natureza e a cidade deixa de ser apenas blocos de cimento onde pessoas vivem aos magotes e onde os carros entopem as estradas.
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