
Desde cedo que comecei a lidar com a morte na minha família. Talvez por ter uma família numerosa, talvez por ambos os meus pais serem os filhos mais novos (eu também sou a mais nova...), talvez por infortúnio. Alguns morreram de velhice, outros de doença, alguns de acidente, uns estupidamente novos, outros que ainda queriam viver mais um par de anos.
Com o tempo aprendi a aceitar mais serenamente estas partidas. Não que deixe de doer, não que passe a fazer sentido mas simplesmente reajo com maior tranquilidade e lido melhor com o facto de que sou impotente perante a grandeza do fim...
Hoje mais um querido se juntou ao meu céu estrelado. Estou triste, sinto um vazio no coração e um nó apertado na garganta. Sei que as saudades irão crescer à medida que o tempo passa mas estou serena. Em especial, por saber findo o seu sofrimento.
Quero acreditar que tudo se transforma e que à sua espera estará quem ele mais quer encontrar... Não no céu ou inferno que nos querem pintar, não de uma forma idílica em que todos vestem togas brancas compridas e se passeiam por belos jardins. De um modo inexplicável, desconhecido, etéreo. Algo que sei que não posso compreender...
Não pode haver morte definitiva enquanto alguém viver no nosso coração e no nosso pensamento...



