terça-feira, 22 de julho de 2014

Marcas para sempre

             

   Noutro dia cruzei-me com este texto no Facebook e achei interessante. Há sempre um número de pontos em que todos aqueles que vivem fora do seu país têm em comum. E é por isso fácil identificarmo-nos com testemunhos de pessoas que nem sequer conhecemos.

   Pela parte que me toca eu e o Homer temos "demasiadas palavras" (you don’t want to overwhelm everyone with stories from your ‘other country’ and come across as pretentious). Temos sempre uma história relevante da Holanda, da Inglaterra, da Austrália. Lembramo-nos sempre de alguém que conhecemos pelo caminho e que nos mostrou uma nova maneira de ver as coisas.

   Da mesma forma temos falta da palavra certa pois as expressões surgem-nos em línguas diferentes (You no longer speak one particular language). É comum faltar-nos a expressão em português ou melhor ainda fazer a tradução literal de uma expressão inglesa para português, o Homer em especial. (tenho de compilar algumas para partilhar, é um fartote!) Também é comum quando estamos cansados ou quando nos sentimos muito à vontade com alguém desatarmos a falar em português com eles perante o seu olhar estupefacto.

   Curiosamente, este blog nasceu pela minha vontade de continuar a escrever em português e pelo meu esforço de não deixar que o meu conhecimento da língua portuguesa se fosse perdendo com o passar do tempo. Também por isso gosto de ler em português mas cada vez se torna mais difícil não deixar que a língua sofra com as influências externas. Afinal de contas, já são 8 anos em que no meu dia-a-dia só falo português com o Homer.

   E claro que a nostalgia e saudade passam a ser constantes (Nostalgia strikes when you least expect it). Companheiros de viagem, que mesmo que regressássemos hoje ao nosso país de origem jamais nos abandonariam. É que não há volta a dar. Podemos não pertencer ao novo país onde vivemos mas a verdade é que também já não pertencemos ao país que nos viu nascer e crescer. Somos gente avulso, com raízes espalhadas pelo mundo.

6 comentários:

  1. Também é comum quando estamos cansados ou quando nos sentimos muito à vontade com alguém desatarmos a falar em português com eles perante o seu olhar estupefacto. (this is so true, estou no canada ha 25 anos e estou casada com um cubano, falo com ele em espanhol mas a partir das 8 da noite everything goes e muitas vezes e mesmo o Portugues)...

    ResponderEliminar
  2. Um texto que ilustra bem o que sentimos :)

    ResponderEliminar
  3. Tive uma professora na universidade q era italiana, casada con um ingles a viverem no Canada, e ela dizia , (ate podemos ter nacionalidade Canadiana nas não somos Canadianos mas no momento em q saimos do nosso pais tb ja nao pertencemos a ele , mesmo q tenhamos nascido la.) Complicado.... Sempre bom chegar ao aeroporto de Lisboa, o cheiro e diferente,mas regressar a Toronto tb e como regressar a casa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Somos sortudos pois temos mais do que uma "casa" :-)

      Eliminar