quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sydney - 1 Ano Depois

 

   Ontem fez um ano que me mudei oficialmente para Sydney. Não foi uma mudança ansiada, foi sim uma mudança fruto de circunstâncias e motivos profissionais. Contudo, encarei esta mudança como mais uma aventura, como mais uma oportunidade de conhecer novos locais e pessoas, e como mais uma etapa no meu crescimento pessoal (nos mais diversos sentidos).
   Ao fim do ano o balanço é, sem dúvida, bastante positivo!
   A pergunta que mais me têm feito ao longo deste ano é se gosto mais de viver em Sydney ou Brisbane e a minha resposta tem sido invariavelmente 'não sei ainda...'. E essa é a mais pura verdade! Se por um lado já me sentia "enturmada" em Brisbane e já conhecia a cidade, por outro lado o sentimento de descoberta depressa se desvaneceu. Apesar de adorar a calma da cidade por vezes tornava-se aborrecida. Em Sydney senti-me perdida, as constantes multidões foram um ataque a todos os meus sentidos e o reencontro com a poluição, ruas mais sujas e mendigos foi um choque. Mas sentir o ritmo de uma cidade onde há programas novos todos os fins-de-semana, imensos locais para descobrir, espectáculos e exposições durante todo o ano tem sido uma lufada de ar fresco.
   Em Brisbane é praticamente verão o ano todo mas em Sydney o inverno é frio. Até tivemos de comprar um aquecedor, lol. Contudo, em 30 minutos estou em qualquer praia enquanto que em Brisbane demorava 1 hora e um quarto.
   Em Sydney voltei a andar de transportes o que por vezes é uma seca mas aproveito as viagens para ler o que tem sido excelente. O carro fica mais dias fechado na garagem mas voltámos a andar de mota e a gozar da liberdade que isso nos proporciona.
    Em Brisbane deixei amigos novos, um grupo super bem disposto que se juntava muitas vezes e que se entreajudava em tudo. Em Sydney vivo perto da minha querida amiga A. e dos seus pais que nos fazem sentir parte da família. E tenho a sorte de termos começado também a fundação onde novas amizades se irão decerto cimentar.
   Por serem cidades tão diferentes, que me trouxeram riquezas distintas, não consigo responder qual das duas gosto mais. Gosto muito das duas!
   Imagino que o próximo ano em Sydney vai ser repleto de descobertas ao meu tempo que nos iremos sentir cada vez mais em casa. Sei que este é o local certo para nós, neste momento, e sinto que, embora tenhamos dado muitas voltas até cá chegar, esta cidade estava à nossa espera :-)

domingo, 29 de novembro de 2015

I lost my heart in Lisbon!



   Adorei :-) E senti muitas saudades da minha cidade....

sábado, 28 de novembro de 2015

A "preta", a "cega" e o "cigano"

   Embora longe vou acompanhando, por alto, os desenvolvimentos políticos em Portugal. As redes sociais têm estado pejadas de opiniões e cada um defende a sua com unhas e dentes sem qualquer sensibilidade ou respeito pela dos outros. Muita bílis foi liberta de um lado e de outro.
   Para mim, é importante perceber que políticos fizeram política. Que ninguém, de nenhum dos lados, fez algo que não esteja previsto na constituição (quer gostemos ou não), e que cedências e compromissos entre vários partidos (quer à esquerda, direita ou centro) pode ser algo de positivo.
   Pessoalmente, não confio no Passos Coelho e tão pouco confio no Costa. Assusta-me que o partido mais votado tenha sido a abstenção. Gostava de ver um governo, independentemente da cor, que governasse com transparência e tendo o bem estar dos portugueses como prioridade. Infelizmente, não acredito que seja ainda desta....

   A minha mãe, que é uma mulher sábia, desde cedo me ensinou que não se deve discutir política, futebol ou religião pois cada uma tem as suas convicções, que devem ser respeitadas, e as pessoas vivem-nas com tal apego que uma discussão deste teor pode destruir amizades e respeito entre pessoas que se querem bem. Eu tenho as minhas opiniões, penso pela minha própria cabeça, mas raramente me pronuncio nestes cenários. E se hoje o faço, não é por politiques, jogadas de poder ou afins mas pela tristeza que senti pelo o facto de uma "preta", uma "cega" e um "cigano"fazerem parte do novo governo ser notícia.

   Escrevam pelos feitos desta pessoas, pela sua experiência, pela mais valia que trazem a este governo e não sobre a sua cor, deficiência física ou ascendência. Como é que em 2015 o mais importante ainda é  o rótulo??!!! E não me digam que o fazem pela positiva pois o próprio facto de estes aspectos serem mencionados como título de uma notícia já é discriminação!

   Para quando o dia em que a cor, ascendência ou deficiência física não importarão? Para quando o dia em não merecerão qualquer atenção da nossa parte?

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

sábado, 24 de outubro de 2015

Insólitos

  
   Já aqui referi algumas vezes como tenho alguma tendência para me deparar ou fazer parte de situações insólitas. Esta semana fui novamente protagonista de mais um momento "isto, só a mim!" ;-)
   Tenho andado em consultas no quiropracta pois tenho um disco inflamado na zona lombar que tem causado bastante dores nas costas (fruto da PDI, pois então!). Saí do trabalho mais cedo para ir à consulta e embora o céu estivesse cinzento não me ocorreu trazer comigo o chapéu de chuva reserva que mantenho no escritório. Já no comboio o maquinista avisa que uma tempestade se aproxima e aconselha cuidado a subir e a descer escadas nas estações pois o piso estaria decerto escorregadio.
   Para com os meus botões saiu-me um "Oh oh!"
   Cheguei à minha estação e chovia que se fartava. Muita água, com muita força e algum vento. Esperei que abrandasse mas não havia sinais da tempestade amainar. Ao olhar para o relógio, tive de tomar uma decisão: ou continuava à espera e perdia a consulta ou metia-me a caminho (esperavam-me uns 15 minutos de caminhada) e chegava a tempo mas encharcada até aos ossos... Pois que corajosamente (ou loucamente!) me pus a caminho!
   Quando cheguei ao consultório estava mais molhada do que se tivesse saído do banho vestida ;-) As calças e a t-shirt estavam coladas ao corpo, os ténis e as meias estavam ensopados e o casaquinho de malha que trazia aberto sobre a cabeça pingava.
  A quiropracta deu-me uma toalha turca quentinha, acabada de sair do secador da roupa, para me limpar e eis que estava como nova pronta para o meu tratamento. O único problema era como ir para casa depois da consulta. Vestir a roupa que trazia era impensável, pois estava encharcada, pelo que a minha única escolha foi pedir emprestada a camisa (tipo hospital) que vestimos para o tratamento!
   Depois do tratamento, saí então de camisa de hospital (sim, daquelas que abrem atrás!) vestida, casaco de malha (encharcado) atado à cintura para tapar o rabo e descalça (meter os pés dentro dos ténis seria como andar dentro de poças de água). A viagem até a casa é curta e 5 minutos depois estava a tocar à campainha. O Homer abriu a porta, estranhando eu não ter utilizado a chave, e quando deu de caras comigo apenas abanou a cabeça com aquele ar "o que foi desta vez?" e deu-me um beijinho.
   Quem se tenha cruzado comigo terá suspeitado que eu teria fugido do hospital (muito provavelmente psiquiátrico!), lol 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Voluntariado


   A empresa onde trabalho tem várias iniciativas de ajuda aos mais necessitados, entre elas o Day of Caring em que os empregados podem escolher fazer voluntariado numa instituição da zona.  Os empregados contribuem com o seu trabalho e a empresa disponibiliza-os durante um dia sem detrimento salarial,  claro está. 
   Escolhi a Streetlevel Mission da Salvation Army que é o equivalente à sopa dos pobres cá do sítio.  De manhã,  depois de um breve briefing, carregámos caixotes de fruta e legumes (doações de uma cadeia de supermercados) escada acima, escada abaixo.  Na cozinha lavámos,  descascámos e cortámo-los de forma a ajudar na preparação das refeições.  
   No dia-a-dia há um cozinheiro e uma coordenadora e o resto são voluntários que oferecem o seu tempo e ajudam a cozinhar as refeições. Não há portanto ninguém permanente que faça este trabalho.
   A cozinha está a ser remodelada e em breve será tudo no mesmo piso o que vai facilitar o transporte dos alimentos até à cozinha. As refeições são planeadas conforme o que houver fresco no dia e com base no que foi recolhido nos supermercados na noite anterior. Uma gestão um pouco familiar e de reutilização. Por exemplo, as pêras abacates estavam um pouco maduras por isso utilizámo-las para fazer guacamole.
   A cozinha actual não tem sequer máquina de lavar a loiça por isso tudo é lavado à mão. É de louvar quem trabalha nestes locais pela sua perseverança, pela sua entrega e pelo seu positivismo.

   Ao longo da manhã foram chegando alguns utentes. Sentados na sala de refeições alguns conversavam entre si, outros mantinham-se à parte, sós, de olhar vazio. Quando chegou a hora de servir o almoço rapidamente se levantaram e formaram uma fila ao balcão e nós atarefadamente fomos servindo prato, atrás de prato. Quando a azáfama terminou pude observar a sala de refeições: a forma como aqueles que tem pouco saboreavam a comida simples que lhes tínhamos proporcionado; o modo ordeiro e rotineiro com que levantaram os pratos e talheres e os colocaram no lugar designado para tal; o carinho com que se despediam da coordenadora com um até amanhã.
   Foi uma experiência muito boa mas que me tirou, sem qualquer réstia de dúvida, da minha zona de conforto. O aperto no peito e o nó no estômago estiveram sempre lá apesar da alegria de poder fazer algo para ajudar. Impressionaram-me os mais idosos, em especial um senhor que conversava animadamente com alguém que não estava lá para o resto de nós. Impressionou-me também uma jovem mulher com nódoas negras na face e no pescoço que arrastava atrás de si uma pequena mala de viagem.

   No final do dia estava cansada, o trabalho tinha sido físico, o desgaste emocional. Vim para casa grata por tudo aquilo que tenho, tudo aquilo com que a vida me brindou, tudo aquilo que aprendi, cresci e conquistei. No pensamento e na lembrança trouxe também aqueles que pelas mais diversas circunstâncias estão a viver momentos difíceis mas que podem encontrar ali muito mais do que um prato de comida, um espaço seguro, que lhes oferece algum conforto, humanidade e até, quem sabe, esperança.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

De fé abalada

    Confesso que ultimamente a minha fé na humanidade tem sofrido alguns abalos :-(

   Relativamente à crise dos refugiados sírios li muitas barbaridades e assustei-me com os sentimentos expressos por muitos perante o sofrimento alheio. Claro que é uma questão complexa, claro que há interesses e politiquices pelo meio, mas para mim, independentemente da raça, da cor da pele, da religião ou ideologia, vejo acima de tudo pessoas de carne e osso que estão a fugir de uma guerra. Hoje temos a sorte de nos sentirmos seguros nas nossas casas, de poder dormir num colchão ortopédico, taparmo-nos com edredão de penas,  e dormir o "sono dos justos" mas amanhã podemos ser a nós a ver tudo o que nos é familiar a ser destruído, a ver a nossa vizinhança a ser bombardeada e ficar sem nada senão o nosso instinto de sobreviver.
   Penso que muitos perderam a noção da fragilidade da vida, acreditam que desgraças só acontecem aos outros e permitem que o sofrimento e o desespero dos outros não lhes toque. Assusta-me como as pessoas conseguem fechar os olhos e o coração a quem precisa de apoio por medo, egoísmo, ou diferença de opinião.

   Parece-me que cada vez mais as pessoas vivem centradas nos seus umbigos. O avanço da social media tem tido também muita influência neste narcisismo, na facilidade com que alguém se esconde atrás de ecrã e debita opiniões sem pensar duas vezes e até com que cria uma vida fabricada.

   No seguimento destas reflexões deu-se o lançamento do novo iPhone 6. Ora eu trabalho bem pertinho da loja da Apple e nem queria acreditar quando dias antes havia tendas montadas no passeio de malta que decidiu acampar para estarem entre os primeiros a comprarem o novo modelo. Tenho que acrescentar que estava frio e chuvoso.
   Que raio leva uma pessoa a acampar para comprar um telemóvel?! Ora, o telefone não vai esgotar e pode ser adquirido no dia seguinte ou na semana seguinte sem qualquer alteração, a Apple não estava a fazer nenhum tipo de desconto portanto o preço é precisamente o mesmo independentemente do dia da compra, não havia nenhum modelo especial ou comemorativo do lançamento.  E pelo que me percebi, nem sequer estavam a dar rebuçados, lol
   Na manhã do lançamento, a multidão era tal que havia seguranças a garantir que a entrada para os edifícios de escritórios se mantinha acessível. Enquanto naveguei entre os chapéus de chuva abertos, para aceder ao meu local de trabalho, reflecti em como me são estranhas as prioridades da nossa sociedade actual...