domingo, 9 de agosto de 2015

Tennant Creek

   A nossa próxima paragem foi em Tennant Creek, que é a maior povoação (depois de Katherine) a caminho de Alice Springs. Esta povoação existe devido à necessidade de haver um posto telegráfico a meio do caminho (Darwin -  Alice Springs) e por isso não estávamos à espera de muito nesta paragem,  apenas de uma oportunidade para descansar.
   Acordámos cedo com o zumbido do vento e sentimos frio pela primeira vez nesta nossa viagem.  Olhei pela janela da nossa autocaravana e vi os ramos das árvores a abanar com força e confesso que foi preciso coragem para sair debaixo do edredon.
   Depois do pequeno almoço fomos visitar uma galeria de arte aborígene. O espaço é enorme mas está um pouco abandonado,  o café está fechado e apenas a loja da galeria estava aberta.  Havia peças interessantes e alguma referência aos artistas.  Em busca de um café pela rua principal acabámos por encontrar um café grego e comer uma baklava ;-)


   Seguimos depois para o miradouro e para a antiga mina.  As visitas guiadas dentro da mina só ocorrem duas vezes por dia como não nos apeteceu esperar e ficámo-nos pelo museu.  Foi uma surpresa super agradável pois não estávamos à espera de ver tantos e diferentes  minerais.




   Conduzimos um pouco e fomos às The Peebles (Kunjarra) que é uma zona sagrada onde são celebrados rituais femininos aborígenes.  As muitas  "pedras" espalhadas num solo árido,  vermelho e seco é de facto impressionante.  É perfeitamente compreensível que para um povo que sempre viveu no meio do deserto estas ocorrências apenas possam ser explicadas como que por magia.





   À noite,  havia um espectáculo no parque de campismo: Jimmy, the bush tucker poet.  O cartaz dizia para trazer um prato e uma caneca e a entrada era $5. Curiosos, fomos e em boa hora o fizemos pois foi super divertido.  O Jimmy é um antigo stockman, nascido e criado no bush, que apesar de não saber ler ou escrever compõe poesia. O seu sentido de humor é apuradissímo e os seus poemas impressionantes para quem apenas os pode construir e guardar em pensamento. Serviu-nos bush nettle tea,  pão cozido na fogueira e deu-nos a provar algumas plantas que se podem comer no deserto,  tais como bush coconut.  Um verddeiro one man show :-)


    Para quem não esperava muito de Tennant Creek foi um dia em cheio!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Mataranka e Daly Waters

   A caminho de Tennant Creek parámos em Mataranka para mais uma sessão de termas. Desta vez, não tínhamos uma, mas sim duas, piscinas termais à nossa disposição: as Bitter Springs e a Mataranka Termal Pool. Claro que experimentámos as duas e adorámos :-)




   Depois das maravilhosas banhocas, continuámos caminho e a próxima paragem foi no famoso Daly Waters Pub para uma cerveja gelada. No filme Last Cab to Darwin, sobre o qual escrevi aqui, o protagonista tem uma foto antiga dos pais em frente a este pub e no seu caminho para Darwin faz um pequeno desvio para visitar o local. Quando vi que íamos passar na área decidi que esta iria ser também uma das nossas paragens. 
   É fácil descobrir porque é que este pub começou a ser conhecido pois é o único no meio do nada, literalmente. Os muitos visitantes que por lá passam deixam um pouco de si, fotos, cartões de estudante, cachecóis, t-shirts, bonés, soutiens, you name it!, há de tudo um pouco. As paredes estão assim repletas de todo o tipo de relíquias.




   A estrada chamou por nós e do conforto da esplanada saltámos para trás do volante para mais uns quantos quilómetros.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Katherine

   Seguimos caminho rumo a Katherine onde iríamos pernoitar duas noites. Ainda tivemos de fazer alguns quilómetros de noite o que não estava nos planos. Conduzir de noite exige uma atenção redobrada devido aos animais que se podem atravessar na estrada, os mais comum são os nossos amigos saltitões (cangurus), e porque é a hora em que mais circulam os road trains. Os road trains são camiões enormes, com vários atrelados, que fazem abanar a auto-caravana de cada vez que se cruzam connosco. O pior é que sabemos que eles levam muito tempo até conseguirem travar portanto há que ter muita atenção quando algum vem atrás de nós, pois se travarmos de repente para não atropelar um Skippy podemos ser albaroados. 
   Na nossa primeira manhã em Katherine tínhamos marcado para ir fazer um passeio de helicóptero mas quando lá chegámos o motor de arranque do veículo não quis colaborar e não houve maneira de levantarmos voo. Depois de uma ida ao supermercado para comprar comida, voltámos para o parque de campismo, fizemos um bom pequeno-almoço enquanto pesquisámos online e nos guias turísticos da zona o que não poderíamos perder. Assim que descobrimos que havia uma piscina termal na zona decidimos onde passar o resto da manhã.
   A temperatura da água não estava ainda nos 32 graus mas estava bem quentinha e foi um bálsamo para a alma! 





   Da parte da tarde recebemos a notícia que o motor de arranque do helicóptero tinha sido consertado e lá fomos nós para mais uma tentativa de sobrevoar sobre os desfiladeiros, treze no total, de Katherine. Nunca tínhamos andado de helicóptero e, uma vez que era o dia de aniversário do Homer, achámos que era oportunidade certa para riscarmos mais um item da nossa bucket list.






   Foi uma experiência incrível :-) O Homer tem medo de alturas mas portou-se lindamente e adorou a experiência. 
   Na manhã seguinte acordámos bem cedo para irmos dar um passeio de barco pelo rio Nitmiluk. Desta vez íamos passear pelo rio e desfiladeiros que no dia anterior tínhamos sobrevoado. Este foi, sem dúvida, um dos pontos altos da viagem! As cores da manhã, os reflexos na água, os sons da natureza: pura magia! 








segunda-feira, 27 de julho de 2015

Litchfield National Park

   Deixámos Darwin naquele que iria ser o nosso meio de transporte e casa nos dias seguintes, uma espécie de um dois em um!


   Foi a nossa primeira experiência numa auto-caravana e adorámos. Sem dúvida, que será uma hipótese que iremos considerar para outras viagens. Podemos parar em qualquer lado para ir à casa de banho, para cozinhar o almoço, para dormir a sesta. Optámos por pernoitar sempre em parques de campismo pois não tínhamos a certeza do que íamos encontrar pelo caminho mas descobrimos que há vários sítios onde se pode passar a noite seguramente, junto de outros adeptos do caravanismo.
   Esta nossa "casa" tinha chuveiro, kitchenette, tv, ar condicionado e quer o depósito da água, quer a bateria, dava-nos autonomia para poder ficar dia sim, dia não sem ter de ficar num parque onde ligar à electricidade. 

   A nossa primeira paragem foi no Litchfield National Park, depois de mais de 40 quilómetros em estradas de terra batida!



   As cascatas de Wangi deixaram-nos boquiabertos com tamanha beleza :-) É um local escondido, no meio de terra vermelha e depois de uma caminhada pelo alto da cascata acabámos por dar um valente mergulho! A água é límpida e fresquinha por isso foi preciso alguma coragem para entrar mas depois do frio inicial sente-se a magia de estar num local tão especial.




   Outra das atracções deste parque natural são os montes gigantes de térmitas. Se pode parecer ridículo ir ver montes de térmitas quando vemos o tamanho dos mesmos percebemos o interesse em visitar este local. 
   De um dos lados, temos as térmitas magnéticas que basicamente constroem montes altos e finos, alinhados de forma a minimizar a exposição solar. São tantos que fazem lembrar lápides ao longe. 
   Do outro lado, temos as térmitas de spinifex, que é uma planta muito comum em zonas arenosas. Algumas destas têm mais de 5 metros de altura (na foto em baixo podem ver o quão o Homer, do alto do seu 1,80 m, parece um anão) e uma espessura incrível.




terça-feira, 21 de julho de 2015

Darwin

   Já regressei de férias há mais de duas semanas mas a verdade é que o regresso à rotina me tem deixado com pouca vontade de fazer o que quer que seja. Procrastinei o desfazer e arrumar das malas, a lista das compras de supermercado depois do esvaziamento do congelador que antecedeu as férias, e embora tenha descarregado logo as fotos para o computador (perto de 1400!) ainda não tinha tido paciência para as escolher e publicar algumas aqui ou no Facebook.
   Hoje lá me enchi de coragem e decidi começar a escrever sobre a experiência fantástica que foi viajar pelo outback australiano.

   A nossa aventura começou por Darwin. Esta cidade tem crescido bastante nos últimos tempos mas a verdade é que ainda se apresenta muito desconexa. Para irmos de uma zona a outra da cidade andámos muito por zonas desertas ou industriais onde não se vêem as habituais zonas residências ou comerciais comuns ao centro de uma qualquer cidade. Contudo, andámos bastante, aproveitámos o calor (estavam cerca de 34 graus!) e visitámos os pontos mais importantes da cidade.

   Darwin é sinónimo de crocodilos. Espero nunca me cruzar com estes bichinhos no seu habitat natural ;-p por isso fomos ao Crocosaurus Cove para uma experiência segura. Pudemos fazer festinhas a um crocodilo pequenino, de um ano e meio, que tinha a boca fechada com fita cola!, e que se chamava Fluffy!




   O problema nesta zona do país é que há crocodilos que aguentam semanas em água salgada e por isso invadem as praias. Ora não se pode nadar porque há crocodilos no mar mas também não se pode ficar esparramado no areal pois eles também andam por lá. Assim sendo, existe uma zona da cidade onde foram criadas uma lagoa e uma piscina com ondas para o usufruto dos locais (Waterfront Precinct).



    O passeio pelo Bicentennial Park é também um passeio obrigatório pela história dos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial, pela beleza do local, pela descoberta da cidade. E é um óptimo local para descansar um pouco depois de uma longa caminhada :-)




   Aos Domingos e às Quintas, há os mercados de Mindil Beach. Há muitas barraquinhas com comes e bebes e muitas barraquinhas de artesanato mas o ponto alto é sentarmo-nos na areia e ver o pôr do sol. Só quando vim viver para Austrália (zona Este) é que tomei consciência que o sol nem sempre se põe sobre o mar. Por isso, não perco nenhuma oportunidade de ver o pôr do sol, tal como me é familiar. 
   A praia estava cheia mas o ambiente era de descontracção. Comemos um entrecosto grelhado de comer e chorar por mais mas não encontrámos quaisquer barraquinha de comida portuguesa ou brasileira como dizia no site. E eu a pensar que me iria consolar com um pastel de nata...




sexta-feira, 19 de junho de 2015