quinta-feira, 9 de abril de 2015

À descoberta de Albany

   A visita a Albany tinha apenas e somente o intuito de conhecer a bebé E. e passar uns dias com a N. Não tínhamos por isso grandes expectativas em relação à cidade ou arredores, embora já soubesse que as praias da zona eram muito bonitas. Por isso, fomos agradavelmente surpreendidos!
   Fomos visitar o Whale World que nos foi descrito como Auschwitz para baleias. E no fundo, era disso que se tratava, nada mais nada menos que uma estação de caça, captura e desmembramento de baleias. A localização é idílica mas a história do que lá se passou é sangrenta e cruel.

Whale World 
Whale World

Whale World

Whale World
   
   Albany teve uma grande importância na História da Austrália pois foi da sua baía que partiram as embarcações australianas e neo-zelandesas (ANZAC) rumo à I Guerra Mundial. Muitos destes soldados foram para batalhas como Galipolli onde foram "abandonados à sorte" e de onde poucos regressaram. Isso ainda hoje tem um grande peso na cultura australiana e no cimo do Mount Clarence, onde se tem uma vista privilegiada sobre a baía, foi construído um museu dedicado aos Anzacs, o National Anzac Centre.
   Este museu é interactivo e muito interessante. À entrada cada um recebe um cartão com um um militar e ao longo da visita vamos descobrindo a sua história. Torna a visita mais real e personalizada e muito mais cativante.

Mount Clarence

Mount Clarence

   Esta estátua à entrada do museu é feita com cartas verdadeiras dos soldados para as suas famílias. Adorei lê-las embora fosse, de facto, muito triste...


The National Anzac Centre

The National Anzac Centre

   E no fim-de-semana fomos fazer um passatempo muito australiano: Bush Bashing! No fundo é passear de 4x4 no meio do mato. Andámos pelo West Cape Howe National Park e fomos ao ponto mais a sul da Western Australia. Chegados à beira do precipício há que se deitar de barriga no chão e olhar para baixo. Não há coragem para o fazer de pé, não vá uma rajada de vento nos fazer levantar voo ;-p
   A paisagem é lindíssima mas impõe respeito! Eu não tenho propriamente medo de alturas mas seria tola se não olhasse à minha volta e não tomasse consciência do quão pequenos somos perante a mãe Natureza.

Torbay Head - West Cape Howe National Park

Torbay Head - West Cape Howe National Park

Shelley Beach

   E depois de mais paragem num miradouro seguimos rumo à praia. Seguimos para uma praia pequena e deserta, onde temos de descer uma enorme rocha para aceder à areia. A água estava fantástica mas as correntes eram bem fortes. Ficámos lá a relaxar, a aproveitar o pequeno paraíso reservados para nós naquele Sábado de manhã. Às tantas chegou um barco junto da praia e perguntou-nos se queríamos peixe. Ninguém quis nadar até lá pelo que agradecemos a simpatia do pescador e voltámos ao dolce faire niente :-)

Dunsky Beach

Dunsky Beach

Dunsky Beach

domingo, 5 de abril de 2015

De Perth a Albany

   Depois de uns dias em Perth, alugámos um carro e conduzimos até Albany onde mora a família da N.  Albany fica a 3 horas e meia pela auto-estrada mas como era a nossa primeira vez em Western Australia decidimos fazer o percurso turístico com rumo à região de Margaret River. 
   Ao fim de dois anos e meio ainda não nos habituámos verdadeiramente às distâncias australianas e digamos que demorámos muito mais tempo do que o esperado ;-)

   A primeira paragem foi a Yallingup. É uma pequena vila, banhada pelo Oceano Índico com paisagens idílicas. A água é cristalina, a temperatura estava bastante agradável e a vontade de ficar por lá a relaxar foi imensa!

Leeuwin-Naturaliste National Park


Yallingup

Yallingup

   Decidimos ir almoçar a Margaret River e escolhemos o Cheeky Monkeys pois podíamos aproveitar para fazer uma prova de cervejas e cidras. Como estávamos de carro não pudemos experimentar as famosas vinhas das zonas mas gostámos muito de passearmo-nos por elas e vê-las carregadas de uvas.

Margaret River

Cheeky Monkeys Brewery, Margaret River

Cheeky Monkeys Brewery, Margaret River

   A última paragem foi Augusta. O ponto alto é o farol donde a vista promete ser magnífica mas infelizmente chegámos 10 minutos depois do seu fecho e só pudemos apreciar a vista cá de baixo...

Augusta

   As estradas de Western Australia mostram a terra vermelha tão caracterísitica do Outback australiano. O trânsito é pouco ou inexistente e as distâncias entre povoações são longas. Ao longo da estrada é comum encontrar cangurus, que saltam do nada em frente do carro. Íamos de sobreaviso e com muita atenção mas mesmo assim tivemos de fazer uma travagem brusca quando um malandreco decidiu atravessar a estrada aos saltinhos ;-p
   A maior aventura foi descobrir que as bombas de gasolina também são escassas! Andávamos já a uns valentes quilómetros à procura de uma e o ponteiro da gasolina continuava a descer. Quando a luz da reserva acendeu chegámos a um cruzamento e tivemos de tomar uma decisão estratégica ou virávamos à direita em direcção a Albany ou virávamos à esquerda, caminho oposto mas onde havia uma povoação... Em boa hora decidimos virar à esquerda. Chegámos à povoação e duas das bombas de gasolinas já tinha fechado, eram 19:15! Eu já estava a olhar em redor à procura de um motel onde passar a noite quando o Homer decidiu entrar no pub local e perguntar se não havia nenhuma estação de serviço aberta. E não é que ainda havia uma!!! Depósito cheio, lá fomos nós até Albany onde chegámos por volta das 22:00... Ufa!!!



sábado, 4 de abril de 2015

Rottnest Island

   Perto de Perth, está Rottnest Island. A pequena ilha é um pequeno paraíso, perfeito para descansar. A ilha está cheia de cabanas onde se podem passar uns dias, o único meio de transporte permitido aos visitantes é a bicicleta e as praias parecem postais ao vivo :-)
   Nós fomos apenas passar o dia e assim que chegámos à ilha metemo-nos neste "adventure cruise" não recomendado a cardíacos, lol Quando marquei a tour não percebi muito bem ao que ia mas ainda em Perth vi um anúncio em que se via o barco a saltar sobre as ondas e tive um pequeno momento de "Oh Oh!". Com uma atitude de "não há-de ser nada!" e com 4 vomidrines no bucho lá fui. 
   Escolhi um lugar na parte de trás, onde o barco é um pouco mais estável. Ficámos mais molhados mas eles deram-nos uns impermeáveis, tipo vestido, que nos mantiveram secos do pescoço para baixo e quentinhos!
 
Adventure Cruise
 
   A primeira paragem foi o The Basin que é uma das praias mais populares da ilha. Como a baía faz um recanto, as correntes são fracas e é um local ideal para famílias com crianças pequenas.

The Basin

The Basin

    Depois fomos ver as focas. São imensas e ou estavam na água com as suas barbatanas de fora para regularem a sua temperatura corporal ou estavam deitadas sobre as rochas a apanharem banhos de sol.

New Zealand Seals

New Zealand Seals


   

   Fomos também ver as águias do mar. O ninho é reconstruído todos os anos, após chuvas fortes, e elas voltam sempre. Não são fáceis de ver mas quando já estávamos a sair da zona eis que apanhámos uma em pleno voo :-)

Sea Eagle´s Nest

Sea Eagle
   
   Terminámos o passeio de barco com uma visita aos leões marinhos. Este recanto é normalmente habitado por "bachelors" e talvez por isso estivessem aparentemente cheios de preguiça, esparramados ao sol!

Sea Lions
   
   Depois tivemos algum tempo para passearmo-nos pela pequena ilha e o ambiente descontraído de férias balneares conquistou-nos de imediato. Fomos até à praia mas confesso que a água estava tão fria e eu não tive coragem para molhar-me acima dos joelhos :-(

The Basin

The Basin
 
    Naturais desta ilha são os quokkas. São marsupiais, parecem uma espécie de ratos em ponto grande, mas fofos! e andam um pouco por todo lado na ilha. São super tranquilos mas adoram ir aos caixotes de lixo e o facto de andarem a comer os nossos restos faz com que estejam a ficar doentes :-(
   Infelizmente, isto é algo que está a acontecer um pouco por todo lado onde existem animais em zonas turísticas.  Muitos acham que é giro dar de comer aos animais sem pensarem no mal que estão a fazer ao animal ao darem-lhe da nossa comida...  

Quokka

Quokka

domingo, 29 de março de 2015

Fremantle


   Fremantle é o maior e mais conhecido subúrbio de Perth. Nas ruas nota-se bastante movimento, há uma grande cultura de cafés e restaurantes, sendo uma das ruas conhecida como a "Cappuccino Strip" e a cultura das cervejarias. 


   Aqui notei um grande cuidado de recuperação dos edifícios antigos o que a meu ver dá um carácter muito próprio à cidade. 


   Os mercados são cheios de vida, música e cor. 


   Junto à Marina deparámo-nos com este pequeno monumento ao Vasco da Gama! Nem queria acreditar :-)


   A Roundhouse é o edifício público mais antigo, dos tempos coloniais, que servia como prisão. Hoje está aberto ao público e a localização encoraja todos os visitantes a tirarem fotografias da fantástica vista sobre a Bathers Beach e o Oceano Índico.


   Visitámos também a fábrica de cerveja, Little Creatures que tem um bar aberto onde se pode experimentar algumas cervejas e petiscar.


   Aproveitámos esta ida a Fremantle para um reencontro com uma antigo colega de trabalho que conhecemos na Holanda. Ele já vive nos arredores de Perth há 6 anos e foi bom reencontrá-lo, e à sua família, no outro lado do mundo :-)

terça-feira, 24 de março de 2015

Perth - A cidade

   A N. veio do Reino Unido visitar e apresentar a pequena E. à família. Nós aproveitámos a deixa para ir visitá-la e passear um pouco por Western Australia, uma zona (das muitas!) que ainda não conhecíamos.

   Perth é a capital da Western Australia e a cidade australiana mais isolada. Para terem uma ideia, é mais perto ir à Indonésia a partir de Perth do que a qualquer outra grande cidade na Austrália. É uma cidade pequena que tem vindo a crescer bastante nos últimos anos. 

   É uma cidade calma, onde não se encontram pessoas a correr de um lado para o outro. O centro empresarial é moderno e nota-se que houve o cuidado de manter e recuperar os edifícios mais antigos. É uma cidade agradável que me lembrou muito Brisbane.

   Os dias estiveram sempre soalheiros o que ajudou imenso à nossa boa disposição :-)

King´s Park
 
   Um ponto alto da cidade é o King´s Park. São uns jardins enormes, lindos, super arranjados e com vistas privilegiadas sobre a cidade.
 
King´s Park

King´s Park

LotteryWest Federation Walkway, King´s Park

   Outra atracção é a Bell Tower. Esta torre abriga doze sinos vindos directamente do Reino Unido e ajuda-nos a manter o relógio certinho.

   Subimos lá a cima e a vista é muito interessante mas a zona está em construção. Pudemos ver o projecto para aquela zona junto ao rio e acho que vai ficar muito agradável. Uma espécie de Parque das Nações no seu auge.

Bell Tower
 
   Para acabar o dia fomos até à Perth Mint. As minhas expectativas eram baixas mas a verdade é que adorei. Tivemos direito a visita guiada e assistimos à execução de uma barra de ouro! Não é todos dias que podemos agarrar numa barra de 12 quilos de ouro, não é?!

   Presente está a maior moeda de ouro do mundo que pesa nada mais, nada menos, que uma tonelada! Só não trouxe para casa porque teria de pagar excesso de bagagem na viagem de regresso, ah ah ah ah

Perth Mint
 
   Uma coisa que me chamou a atenção pelas ruas da cidade foi a quantidade de estátuas e obras de arte. Achei muito giro! Dá cor e vida à cidade.




terça-feira, 17 de março de 2015

Observações e aventuras diárias



   Desde que nos mudámos para Sydney que voltei a andar de comboio diariamente. Trabalho mesmo no centro da cidade e não há melhor ou mais prática opção. As minhas viagens são curtas mas não por isso menos interessantes pois dedico-me a uns dos meus passatempos favoritos: observação ;-)
   Quase todos viajam colados aos seus smartphones. Grande parte de headphones nos ouvidos,  mesmo quando se dirigem aos seus destinos a pé pelas ruas da cidade. Ainda há dias um jovem deixou cair o cartão de acesso ao escritório na rua e uma velhota que vinha atrás dele,  apanhou-o e chamou por ele.  Ele não ouvia nada,  pois ia de headphones postos, e a pobre da senhora teve de largar numa corrida atrás dele (o moço tinha a passada larga) até lhe conseguir tocar no braço e assim chamá-lo à atenção. Ora isto de bloquear os sons à nossa volta pode ser perigoso... Se fosse a buzina de um carro,  será que ele ouvia?!
   Depois há aqueles que não contentes em ouvir a sua música,  sentem que devem partilhá-la com toda a carruagem do comboio! Eu bem olho para eles com cara de "Desculpa lá mas não me apetece levar com o teu ruído" mas o meu olhar 42 não têm qualquer impacto perante quem progressivamente destrói os seus tímpanos de livre e espontânea vontade! Já me cruzei um par de vezes com um velhote que só ouve Metal a alto e bom som,  um kota que curte tanto o seu jazz que abana literalmente a cabeça ao som da música que insiste em partilhar com os restantes passageiros e um asiático,  trintão,  que uma vez desatou a dançar carruagem fora como se de uma pista de dança se tratasse! O homem teve o seu momento de fama pois por instantes toda a carruagem parou incrédula a olhar para o o seu One Man Show!
   A maior parte dos que vejo agarrados aos telemóveis navegam no Facebook,  no Twitter,  no Instagram,  etc. Há também quem jogue Candy Crush ou consulte as apps dos jornais.  Sim,  eu sei,  é uma invasão de privacidade olhar para os ecrãs alheios ;-) Poucos viajam com livros,  Kindles ou lêem livros nos seus smartphones  mas ainda há quem opte por aproveitar o tempo de viagem para se dedicar à leitura.
   Noutro dia sentou-se ao meu lado um indivíduo japonês,  que ia a ler algo no seu telemóvel. À partida esse seria um comportamento normal não fosse o rapaz ler em voz alta,  a grande velocidade, e ficar sem fôlego ao fim, do que me pareciam ser, algumas linhas! Eu bem que olhei diversas vezes para ele,  como quem diz "Shiiuuu! Não se lê em voz alta no comboio! " mas o rapaz estava tão entretido com o seu texto que nem deu pela minha existência.
   Sydney,  sendo a maior cidade australiana, deve decerto ter o maior número de "malucos" por metro quadrado e muitos deles devem gostar de andar de transportes, pois não encontro outra explicação para a quantidade de pessoas que vejo a falarem sozinhos,  a cantar (ópera!) em voz alta,  a insultarem aos gritos um espaço vazio à sua frente. Isto torna sempre qualquer viagem interessante e faz pulsar a adrenalina pois nunca se sabe muito bem quando é que o "maluco" se passa a sério e prega uma bofetada a alguém!
   Mas também temos teatro... Noutro dia,  dois (duas) travestis/transsexuais pegaram-se numa cena de pancadaria em plena plataforma.  Uma entra no comboio,  quando este chega à estação,  para logo atirar a sua mala para o chão e sair lá para fora para agredir a outra.  Quando decide que afinal se faz tarde e que tem de apanhar o transporte,  entra e a outra desvairada entra atrás e toca de se engalfinhar naquela que lhe tinha ido à "tromba". Outros passageiros,  corajosos ou mais loucos ainda,  tentam separá-las enquanto tentam segurar uma dentro do comboio e a outra do lado de fora.  O funcionário que está na plataforma e cuja função é assinalar ao maquinista que pode seguir viagem,  fica impávido,  qual fiscal de linha,  a ver a cena desenrolar-se ora fora,  ora dentro, do comboio e espera pacientemente pelo desfecho.  Os passageiros, os tais corajosos ou mais loucos ainda,  lá conseguem separar as doidas (uma dentro,  outra fora),  o funcionário faz sinal ao maquinista com a sua bandeirinha vermelha e ouve-se o aviso de que as portas automáticas vão fechar.  O comboio segue caminho, não sem antes uns insultos de parte a parte,  gritados através do vidro, em que as doidas se chamam de feias. Nisso tinham elas razão: não só eram mulheres/homens feias/os (!), como foram umas feias por nos fazerem chegar atrasados à estação seguinte!

   Eu... divirto-me a observar estas interacções,  perco-me em pensamentos mais ou menos profundos sobre a sociedade onde me insiro e vou também brincando com o meu smartphone,  lendo um livro/Kindle,  ou simplesmente olhando pela janela,  embalada pelo agradável movimento do comboio nos carris :-)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Hunter Valley


   No Sábado passado fomos até Hunter Valley e passámos o dia a visitar diferentes vinhas. Experimentámos vários vinhos, uns excelentes, outros nem por isso.
 

   O passeio começou na adega de vinhos McGuigan com champagne e vinhos excelentes. Os vinhos deles não se encontram à venda em mais nenhum lado e já ganharam vários prémios. Adorámos!


   Depois fomos até Macquariedale onde provámos vinhos orgânicos. Embora a ideia me agrade imenso devo confessar que os vinhos não me convenceram. Aliás, foi lá que provei o único vinho que tive de deitar fora pois não consegui acabar com a pequena dose...


   Almoçamos em Ridgeview depois de mais uma prova de vinhos. Aqui eles têm uvas verdelho e até sabem que são portuguesas! O almoço foi excelente com uma vista fabulosa sobre as vinhas. Mas o ponto alto, foi, sem dúvida, a sobremesa no Sabor in the Hunter :-)


   Ainda demos um passeio pelos Hunter Valley Gardens e tivemos tempo para umas compras. Um dia muito bem passado :-)