terça-feira, 17 de março de 2015

Observações e aventuras diárias



   Desde que nos mudámos para Sydney que voltei a andar de comboio diariamente. Trabalho mesmo no centro da cidade e não há melhor ou mais prática opção. As minhas viagens são curtas mas não por isso menos interessantes pois dedico-me a uns dos meus passatempos favoritos: observação ;-)
   Quase todos viajam colados aos seus smartphones. Grande parte de headphones nos ouvidos,  mesmo quando se dirigem aos seus destinos a pé pelas ruas da cidade. Ainda há dias um jovem deixou cair o cartão de acesso ao escritório na rua e uma velhota que vinha atrás dele,  apanhou-o e chamou por ele.  Ele não ouvia nada,  pois ia de headphones postos, e a pobre da senhora teve de largar numa corrida atrás dele (o moço tinha a passada larga) até lhe conseguir tocar no braço e assim chamá-lo à atenção. Ora isto de bloquear os sons à nossa volta pode ser perigoso... Se fosse a buzina de um carro,  será que ele ouvia?!
   Depois há aqueles que não contentes em ouvir a sua música,  sentem que devem partilhá-la com toda a carruagem do comboio! Eu bem olho para eles com cara de "Desculpa lá mas não me apetece levar com o teu ruído" mas o meu olhar 42 não têm qualquer impacto perante quem progressivamente destrói os seus tímpanos de livre e espontânea vontade! Já me cruzei um par de vezes com um velhote que só ouve Metal a alto e bom som,  um kota que curte tanto o seu jazz que abana literalmente a cabeça ao som da música que insiste em partilhar com os restantes passageiros e um asiático,  trintão,  que uma vez desatou a dançar carruagem fora como se de uma pista de dança se tratasse! O homem teve o seu momento de fama pois por instantes toda a carruagem parou incrédula a olhar para o o seu One Man Show!
   A maior parte dos que vejo agarrados aos telemóveis navegam no Facebook,  no Twitter,  no Instagram,  etc. Há também quem jogue Candy Crush ou consulte as apps dos jornais.  Sim,  eu sei,  é uma invasão de privacidade olhar para os ecrãs alheios ;-) Poucos viajam com livros,  Kindles ou lêem livros nos seus smartphones  mas ainda há quem opte por aproveitar o tempo de viagem para se dedicar à leitura.
   Noutro dia sentou-se ao meu lado um indivíduo japonês,  que ia a ler algo no seu telemóvel. À partida esse seria um comportamento normal não fosse o rapaz ler em voz alta,  a grande velocidade, e ficar sem fôlego ao fim, do que me pareciam ser, algumas linhas! Eu bem que olhei diversas vezes para ele,  como quem diz "Shiiuuu! Não se lê em voz alta no comboio! " mas o rapaz estava tão entretido com o seu texto que nem deu pela minha existência.
   Sydney,  sendo a maior cidade australiana, deve decerto ter o maior número de "malucos" por metro quadrado e muitos deles devem gostar de andar de transportes, pois não encontro outra explicação para a quantidade de pessoas que vejo a falarem sozinhos,  a cantar (ópera!) em voz alta,  a insultarem aos gritos um espaço vazio à sua frente. Isto torna sempre qualquer viagem interessante e faz pulsar a adrenalina pois nunca se sabe muito bem quando é que o "maluco" se passa a sério e prega uma bofetada a alguém!
   Mas também temos teatro... Noutro dia,  dois (duas) travestis/transsexuais pegaram-se numa cena de pancadaria em plena plataforma.  Uma entra no comboio,  quando este chega à estação,  para logo atirar a sua mala para o chão e sair lá para fora para agredir a outra.  Quando decide que afinal se faz tarde e que tem de apanhar o transporte,  entra e a outra desvairada entra atrás e toca de se engalfinhar naquela que lhe tinha ido à "tromba". Outros passageiros,  corajosos ou mais loucos ainda,  tentam separá-las enquanto tentam segurar uma dentro do comboio e a outra do lado de fora.  O funcionário que está na plataforma e cuja função é assinalar ao maquinista que pode seguir viagem,  fica impávido,  qual fiscal de linha,  a ver a cena desenrolar-se ora fora,  ora dentro, do comboio e espera pacientemente pelo desfecho.  Os passageiros, os tais corajosos ou mais loucos ainda,  lá conseguem separar as doidas (uma dentro,  outra fora),  o funcionário faz sinal ao maquinista com a sua bandeirinha vermelha e ouve-se o aviso de que as portas automáticas vão fechar.  O comboio segue caminho, não sem antes uns insultos de parte a parte,  gritados através do vidro, em que as doidas se chamam de feias. Nisso tinham elas razão: não só eram mulheres/homens feias/os (!), como foram umas feias por nos fazerem chegar atrasados à estação seguinte!

   Eu... divirto-me a observar estas interacções,  perco-me em pensamentos mais ou menos profundos sobre a sociedade onde me insiro e vou também brincando com o meu smartphone,  lendo um livro/Kindle,  ou simplesmente olhando pela janela,  embalada pelo agradável movimento do comboio nos carris :-)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Hunter Valley


   No Sábado passado fomos até Hunter Valley e passámos o dia a visitar diferentes vinhas. Experimentámos vários vinhos, uns excelentes, outros nem por isso.
 

   O passeio começou na adega de vinhos McGuigan com champagne e vinhos excelentes. Os vinhos deles não se encontram à venda em mais nenhum lado e já ganharam vários prémios. Adorámos!


   Depois fomos até Macquariedale onde provámos vinhos orgânicos. Embora a ideia me agrade imenso devo confessar que os vinhos não me convenceram. Aliás, foi lá que provei o único vinho que tive de deitar fora pois não consegui acabar com a pequena dose...


   Almoçamos em Ridgeview depois de mais uma prova de vinhos. Aqui eles têm uvas verdelho e até sabem que são portuguesas! O almoço foi excelente com uma vista fabulosa sobre as vinhas. Mas o ponto alto, foi, sem dúvida, a sobremesa no Sabor in the Hunter :-)


   Ainda demos um passeio pelos Hunter Valley Gardens e tivemos tempo para umas compras. Um dia muito bem passado :-)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cirque du Soleil - Totem


   Já tínhamos tido a oportunidade de assistir a um espectáculo do Cirque du Soleil em Roterdão e adorámos. Por isso, ficamos muito felizes por saber que ainda íamos a tempo de os voltar a ver em Sydney, antes que eles partissem para outras cidades australianas.
   Chegámos a Sydney num Domingo à tarde e na Quarta-feira lá estávamos nos em Moore Park prontos para entrar no mundo mágico que tínhamos a certeza de nos esperava. Não nos desiludimos e viajámos de facto para um mundo tão diferente daquela que nos rodeia. As cores, os fatos, a caracterização, a música, as luzes. Nada é feito ao acaso  e tudo é feito com enorme dedicação e profissionalismo.
   Fiquei surpresa por saber que completaram 30 anos de existência! Uns crescidos ;-) Só os descobri há uns 10, mais ou menos...


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Viva o Amor ;-)

   Com a loucura da estreia do filme 50 Shades of Grey, a Durex criou este anúncio que eu considero brilhante. Ora há que aproveitar os eventos da actualidade para vender os seus produtos. Calculo que muita gente vá para casa "dar asas à realidade" depois da ida ao cinema :-)



   Pessoalmente, não li nenhum dos livros nem tenho qualquer curiosidade. Por isso, não tenho qualquer opinião acerca do assunto...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Portugueses pelo Mundo

Gold Coast, Queensland

   Sempre mantive o blog num certo animato. Nunca utilizei nomes próprios, fotos em que aparecesse, nunca partilhei posts nas redes sociais. Claro que há amigos que conhecem e visitam o meu blog, claro que já conheci pessoas através do blog.
   Abri uma excepção com um pedido da minha querida Andorinha e aceitei o convite do Filipe para falar de Brisbane na sua rubrica, Portugueses pelo mundo. Podem ler tudo AQUI.

   Tirando o meu nome, a minha cara (de óculos escuros) e a minha profissão o resto são palavras e relatos que sempre habitaram neste espaço. Não irão por isso descobrir muito mais sobre mim :-)

   E este espaço não vai mudar! Vou continuar a partilhar e a escrever sobre o que me apetecer e não me quero policiar por saber que mais conhecidos e familiares descobriram agora que este blog existe ou por saber que os outros bloggers que me visitam ficaram a saber o meu nome...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

I carry your heart with me...

  

   Há dias em que a distância dói mais. Não só nos dias de festejos e felicidade mas também nos dias de dor, em que queremos dar e receber o colo de quem nos é mais querido.

   Hoje o chão foi-te roubado debaixo dos pés de novo. Hoje questionas de novo os porquês, o sentido de tudo e sentes o coração apertado pela perda e pela injustiça.

   Hoje queria estar ao pé de ti...

   As minhas palavras de nada valem, talvez o meu abraço apertado pudesse ajudar a não te sentires só. Mas as escolhas que tomei têm um preço e hoje implicam que estejamos separadas por 18,166 kms.

   Contudo, trago-te comigo no pensamento e no coração. Sempre. Hoje talvez mais um pouco que ontem...

   E como me falta a varinha de condão que queria ter para te sarar as feridas, deixo-te com o poema que veio ao pensamento esta manhã quando pensei em ti...

I carry your heart with me(I carry it in
my heart)I am never without it(anywhere
I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
                                            I fear
no fate(for you are my fate, my sweet)I want
no world(for beautiful you are my world, my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A Amizade #5

  

   Quando atingimos a idade adulta torna-se mais difícil fazer amigos. Já temos uns tantos que fomos fazendo ao longos dos anos, dos tempos de liceu, faculdade e até do primeiro emprego. Depois, se e quando, começamos uma relação a dois juntamos os amigos de um lado e de outro e formamos um grupo de amigos do casal. Geralmente, a coisa fica mais ou menos por aí...
   Quando se vive fora do país e longe do que nos é familiar a importância das amizades assume outras proporções e as mesmas surgem de uma forma mais inesperada. A necessidade de criar laços é maior e as oportunidades são aproveitadas mais intensamente.
  
   Pessoalmente, já tive a sorte de fazer bons amigos através do blog, no comboio e até no Consulado. Isto sem falar do amigo do amigo que vive no mesmo país e de alguns colegas de trabalho que aos poucos vão fazendo parte da nossa vida e deixam de ser meros colegas.
   Gosto sempre de quando estas amizades surgem como que por acidente e de quando as coincidências são tamanhas que é impossível ignorar! Dá definitivamente mais cor à vida!

   Normalmente, existem dois factores de empatia instantânea: ou a outra pessoa também esta longe do país de origem e compreende os desafios, as dificuldades e aventura de viver longe de "casa"; ou há como que um sentimento de acolhimento por parte dos "locais" perante alguém que arriscou um salto sem rede para fazer do país deles a sua nova casa. 
   Os amigos que vamos fazendo nestas etapas acabam, de certa forma, por preencher o espaço vazio deixado pela distancia física da família. São eles que chamamos para fazer uma mudança, para nos irem levar ou buscar ao aeroporto, para nos visitarem no hospital ou para nos trazerem compras do supermercado quando estamos de cama com gripe. São também a eles que recorremos se precisamos de alguém que nos regue as plantas quando vamos de férias ou a quem damos uma cópia das chaves para o caso de fecharmos a porta com as chaves lá dentro.

   Vir para Sydney custou-me nesse sentido pois já tinha um "grupo de amigos" de quem gosto muito e de quem vou sentir saudades. Claro que estamos a uma hora de avião e acredito que haverão várias visitas de parte a parte mas é difícil começar do zero.
   A A. vive cá, bem pertinho por sinal, e para nós isso é um grande apoio e um motivo de felicidade. Há 10 anos que não vivemos na mesma cidade e agora é uma festa :-)

   E eis que no meio da confusão da mudança e da intensidade destas ultimas 3 semanas recebi um email super simpático através do blog. Um convite para um café, que se prolongou para jantar e "ceia". Uma tarde/noite muito bem passada e a promessa de novas sessões de conversa :-)

   Por isso, hoje sinto-me muito feliz de ter deixado a minha zona de conforto e ter mudado de país e cidade umas tantas vezes. Sinto-me feliz por ter criado o blog como uma espécie de diário de bordo das minhas aventuras. Sinto-me feliz por viver de braços e peito aberto a novas oportunidades, desafios e amizades. E tenho a certeza que quando um dia mais tarde olhar para trás vão ser estes os momentos que irei recordar com carinho!

domingo, 18 de janeiro de 2015

Novo Capítulo - Sydney

Sydney - Março 2010 (a nossa primeira visita!)


   A mudança para Sydney tem sido super intensa. Pela primeira vez, nesta vasta experiência de mudanças, estou a trabalhar a tempo inteiro ao mesmo tempo que empacoto e desempacoto caixotes. Isto faz toda a diferença pois não só as coisas demoram mais tempo como o nível de cansaço e a preguiça assumem outra proporções.

   É também a primeira vez em que não tenho tempo para tomar o pulso da cidade e me entrego desde o primeiro momento à rotina. Claro, que neste caso já conhecia a cidade de anteriores visitas mas a perspectiva de turista e a de residente é sempre distinta. Ainda pouco conheço da minha vizinhança, à parte do supermercado e do centro comercial mais próximo…

   Do ritmo da cidade e da rotina posso dizer que me faz lembrar Londres. Mas com sol! O mesmo conceito do centro de negócios e comércio (CBD), a quantidade de gente na rua, quer turistas quer gente que se desloca em "manadas" para os inúmeros escritórios (eu incluída!), as filas nas estações de comboios para passar os torniquetes. 

   Apesar da confusão, é excelente saber que encontramos tudo ao virar de cada esquina. Aqui há a Zara, a Gap, a HM que não existem em Brisbane, o supermercado está aberto até à meia-noite (a loucura!). Ontem depois do jantar, fomos ao Messina comer um gelado e eles estão aberto até às onze e meia da noite! Desde que saímos de Lisboa que não vivíamos estes luxos ;-p

   Ainda me estou a acostumar a viver na cidade grande de novo mas o saldo até agora está a ser bastante positivo!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Mais uma moedinha, mais uma voltinha!

   Isto era o que os senhores dos carrinhos de choques gritavam nas feiras a chamarem por nós jovens pré-adolescentes hormonais. E haverá coisa mais parva onde gastar a mesada do que uns carrinhos que andam à roda de uma pequena arena, ligados por cabos eléctricos, ora a fugir ora a chocar de propósito com outros carrinhos?! Mas as hormonas gritavam alto e lembro-me de que era uma maneira divertida de contactarmos com o sexo oposto de forma inocente ;-) Por isso, esta frase traz-me boas recordações de um tempo em que mais uma moedinha era mais uma possibilidade de chocar com o carro do puto giro lá do bairro!
   A expressão entrou assim desprevenida para o meu vocabulário e sempre que me encontro numa situação repetitiva lembro-me sempre dos carrinhos de choque das feiras ;-p
   Este pequeno interlúdio para vos dizer que nós andamos em mudanças outra vez!!!


   Desta vez não vai ser uma mudança tão radical, não envolve outro país ou continente, apenas outra cidade, noutro estado. Deixamos para trás Brisbane, Queensland, em rumo a Sydney, New South Wales. De novo são as oportunidades profissionais que nos levam a mais uma voltinha com a casa às costas!
   A minha mãe dizia-me noutro dia que com a minha experiência já podia dar cursos sobre mudar de casa, cidade ou país. E de facto, já tinha material para um livro, eh eh eh eh
   O mais importante, a meu ver, é a organização. Eu sei por onde devo começar a empacotar as coisas, as caixas estão enumeradas e sei o que está em cada caixa. Não só facilita para o caso de precisar de encontrar alguma coisa mas ajuda muito na altura de desempacotar tudo de novo. Eu tiro fotos às estantes para saber qual a posição em que estavam os livros, loiças e bibelots. Eu tenho uma lista de serviços que temos de contactar e uma lista de entidades a que temos de avisar da nossa nova morada. E assim, as coisas sequem em piloto automático e sem muito stress.
   É sempre uma trabalheira e uma seca mas têm sido as escolhas que temos feito e não me arrependo de nenhuma das nossas mudanças. Em 11 anos de vida em comum, está será a oitava casa, em quatro países e dois continentes ;-)
   Agora que as coisas estão encaminhadas estou entusiasmada com o que nos espera nesta nova etapa!

sábado, 27 de dezembro de 2014

E passou mais um Natal...


   Este é o nosso terceiro Natal no Verão e ainda não consigo sentir o espírito natalício quando estou de calções e havainas! É estranho estar a morrer de calor, entrar num qualquer centro comercial, dando graças pelo ar condicionado, e deparar-me com decorações de Natal, muitas com delas com alusões à neve a ao frio.
   Quando ainda vivia em Portugal não ligava muito a esta quadra mas a vida de emigrante faz com que as saudades e alguma nostalgia apertem mais forte nestas alturas. Contudo, o facto de aqui fazer calor e de irmos para a praia faz com que o Natal não passe de mais uma dia no calendário.
   Este ano como andamos entretidos com questões maiores não tínhamos grandes planos mas aceitámos o convite de uns amigos portugueses. Éramos 4 casais, sem família cá, sentados à mesa de volta do bacalhau e bolo rei. Conversámos, rimos e trocámos presentes. Foi uma noite bem passada mas não me soube a Natal....
   Faltaram-me os sonhos, as filhoses, o arroz doce... Faltou-me a família e o aquecedor ligado... Faltou-me os programas tolos da TV e as conversas com os meus pais em volta da mesa posta para a ceia...
   Por isso, a vida voltou rapidamente ao normal e as nossas tarefas não tiveram direito a grandes pausas!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Carpe Diem...

   Ontem o mundo parou com os olhos postos num café em Sydney. Um louco tinha feito dos clientes e empregados de um café no CBD (um total de 17 pessoas!) reféns e obrigou-os a colocar uma bandeira islâmica na montra.
   As especulações foram muitas e ao longo do dia ninguém largou as notícias, na televisão, nos jornais online, nas redes de social media. A situação prolongou-se por 17 horas consecutivas e teve um final trágico.
   O sentimento de incredulidade estava estampado no rosto de todos. O medo de uma ataque terrorista era grande mas as mensagens constantes do Primeiro Ministro, do Presidente do estado de New South Wales, dos comissários da polícia ao longo do dia pediam para que as pessoas não se deixassem dominar pelo medo.
 
   Sei que é um chavão, mas de cada vez que me deparo com a fragilidade da nossa vida penso sempre que não devemos desperdiçar as coisas boas que temos. Temos de aproveitar ao máximo a magia de cada novo dia e temos de dar graças por tudo o que temos. Pois, de um momento para o outro tudo muda. Carpe Diem...
   O meu sogro morreu de um momento para o outro, com um ataque cardíaco fulminante sem nunca ter tido problemas cardíacos. A minha irmã morreu com um cancro no esófago aos 38 anos. Uma das minhas melhores amigas soube na mesma semana que ambos, o pai e a mãe, tinham um cancro terminal. Uns conhecidos nossos acordaram uma manhã e encontraram o seu bebé de 14 meses morto no berço.
  Por todas estas e mais algumas experiências, tento gozar o presente por que há alturas em que a vida é simplesmente fodida!

   Mas algo de muito bonito e positivo aconteceu ontem na Austrália enquanto este louco mantinha inocentes como reféns. Surgiu uma campanha nas redes sociais, nomeadamente no Twitter, contra qualquer acto de discriminação contra o povo muçulmano. Um povo, uma comunidade, não pode ser condenado pelos actos de um lunático megalómano cujos ideais estavam tão destorcidos que só sabia responder com violência.
   A campanha chama-se "I´ll ride with you" e começou com pessoas a oferecerem-se para acompanhar cidadãos muçulmanos que tivessem receosos de apanhar transportes públicos com medo de represálias. Podem ler mais AQUI.


   Hoje, no rescaldo destes acontecimentos há um sentimento de tristeza pelas vidas perdidas, pelas vítimas que jamais recuperarão por completo, por nós que perdemos a ilusão de que estamos seguros quando entramos num café.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Fraser Island


   Há duas semanas tivemos um fim-de-semana aventura em Fraser Island. Fraser é a maior ilha de areia do mundo e fica a 2h30m/3h de nossa casa.
  Foi uma boa experiência com mais oportunidade de testar a minha veia de campista. Desta vez acordei de madrugada com uma espécie de rato marsupial a subir pelo lado de fora da tenda! Agarrei a mão do Homer e gritei "ai, um rato!!!" mas ele continuou a dormir como se nada se passasse! Liguei a lanterna e apontei para o lado de fora para que bichito fosse à vida dele e me deixasse em paz e depois adormeci de lanterna ligada em punho, lol
   Apesar de tudo, acho que estou a ficar cada vez mais capaz de superar os desafios do campismo :-)

   Para verem fotos e saberem mais um pouco sobre Fraser Island, vejam o meu relato Aqui

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014

Todas as Palavras de Amor - Ana Casaca

   Descobri a Ana C. através do seu blog e desde logo me tornei assídua seguidora. Ultimamente, a Ana C. não tem blogado muito e sinto falta das suas palavras. Quando recebo um update no feedly fico logo entusiasmada de ir ler as suas "crónicas".

   Na altura fiquei curiosa de ler o seu primeiro livro que carinhosamente já passeou comigo da Holanda à Áustria onde foi lido, veio em caixas de livros na mudança de país para Inglaterra e depois para a Austrália. Quando soube que ela tinha lançado mais um livro no ano passado entrou logo para a minha lista de compras! Encomendar livros de Portugal para entregar na Austrália é dispendioso e por isso esperei que uma mala de viagem me trouxesse as palavras da Ana.
Lone Pine Koala Sanctuary
   Li o livro de um tiro e com muito entusiasmo! Gostei dos desencontros, da busca de nós mesmos, das palavras que escrevemos e não dizemos, da rotina do dia-a-dia que vai apagando a luz do nosso viver. A Ana sabe escrever sobre o Amor. A Ana sabe fazer-nos sonhar com um Amor cúmplice onde as palavras são o instrumento e o porto seguro. A Ana sabe tocar-nos e agarrar-nos às páginas que escreve.
   
   Gostava de acreditar que na vida muito se poderia resolver em cartas de amor. Gostaria de acreditar que todos temos a capacidade de nos exprimir de uma forma tão cristalina como nas cartas de amor da Ana. Tristemente, não consigo... Talvez algo se tenha já quebrado em mim... E isso é, na minha humilde e leiga opinião, a única falha deste livro. As personagens tem todas elas uma voz semelhante e uma capacidade de expressão (mesmo aqueles que acusam esta lacuna) que não reconheço na vida real,  fora das página dos livros.

   O mais fascinante para mim é que através do blog e dos seus livros a Ana partilha connosco tanto de si, do seu mundo e do seu coração sem se expor de forma fortuita ou despropositada. Partilha o seu intelecto, o seu sentido de humor apurado e até o seu sarcasmo. Admiro o seu trabalho (ou aquilo que dele conheço) e desejo-lhe os maiores sucessos. Entretanto, a Ana já lançou um novo livro e tenho a certeza que uma edição me chegará em breve às mãos :D

   Well done Ana C :D

sábado, 15 de novembro de 2014

Fascínios do dia-a-dia

   Há duas coisas que eu adoro em mim mesma. A primeira é a capacidade de rir de mim própria. Eu sou a primeira a partilhar as minhas "aventuras" e a rir pela minha ingenuidade ou comicidade. Desastrada e acelerada como sou, vivo sempre situações caricatas e seria uma pena se perdesse tais oportunidades de riso ;-p A segunda é a capacidade de viver fascinada e feliz com pequenas coisas. Vivo constantemente fascinada pelo mundo à minha volta, fico boquiaberta a ver relâmpagos a iluminar o céu, um arco-íris, um pôr-do-sol e fico feliz com o cheiro de um bolo no forno, lençóis lavados na cama, um lugar de estacionamento à porta.
   Isto, porque viver neste país é viver fascinado pela Natureza, pela sua unicidade, pela sua magia. Ao fim de dois anos há muita coisa que se torna comum, até banal, mas para mim continua a ser especial. Sinto-me privilegiada por poder viver nesta comunhão com a Natureza no meio da cidade.

Ibis
   Como em Lisboa temos os pombos, aqui temos os ibis. São bem maiores mas andam por todo o lado. Em qualquer jardim ou esplanada lá estão eles a ver se lhes calham algumas migalhas. São inofensivos e convivem bem com os humanos, não têm medo de nós e aproximam-se quanto baste. 


Flying Foxes
  Estes morcegos da fruta são o máximo. Durante o dia só os conseguimos ver nos jardins, a dormirem escondidos, mas assim que o sol se põe é vê-los a sobrevoar a ruas das cidades. Voam baixo e é lindíssimo ver as suas asas enormes pretas passarem sobre nós. Como só comem frutas adoram ir a quintais onde há árvores ou pequenas hortas alimentarem-se. Isso claro, é uma chatice para quem quer proteger as suas colheitas. Há umas redes que se podem colocar nas árvores que impedem que eles comam tudo mas atenção que têm de ser uma redes específicas porque senão há o risco de eles ficarem presos e partirem as asas :-( Nós temos uma árvore no quintal que dá uma espécie de bagas na Primavera/Verão e à noite ouço as suas visitas. Se nos aproximamos fogem de imediato por isso deixo-os sossegados a encher a barriga.

Eastern Bearded Dragon
   Os lagartos, de toda a espécie, feitio e tamanho, vivem espalhados por todos os jardins da cidade. A entrada do nosso prédio é ajardinada e há dias estava lá um destes, bem grande, ao sol. Confesso que não sou fã de répteis e no início isto mexia comigo pois tinha medo. Agora lido bem com eles. São inofensivos, ficam na deles e até têm tendência para fugir se nos aproximamos.
   Existe contudo uma espécie pequena, os geckos, que me dão umas valentes dores de cabeça. Os sacanas fazem um barulho irritante, tipo qiqiqeqeqe, e enfiam-se no aparelho de ar condicionado do nosso quarto. Muitas vezes, acordo de madrugada com este barulho. Já tentei de tudo mas não me consigo livrar deles, até bolas de naftalina tentei...

Lorikeet

Kookaburra
 A passarada aqui é imensa, colorida, barulhenta e muito bonita. Os lorikeets são os meus favoritos, não só pelas suas cores mas pelas suas cantorias. Um canta, o outro repete e assim sucessivamente. São verdadeiras orquestras. As kookburras emitem um som, semelhante a um choro, que faz lembrar um macaco. Têm um bico enorme e são carnívoras. Em zonas de churrasco, é comum vê-las por perto à espera de uma distracção. Num voo rápido e sem hesitação levam salsichas e afins no seu bico. Já assisti a isso e é super engraçado! Excepto se for a nossa salsicha, claro ;-p

   Também muito comuns são os possums. Ao anoitecer é só olhar para as linhas de electricidade e lá estão uns quantos equilibrados tranquilamente, a deslizar quais artistas de circo. Assim que nos vêem param imediatamente que nem estátuas e assim ficam de olhos arregalados. Isso até deu origem à expressão "playing possum". 

   Outro animal que é comum ver pelas ruas e jardins e que para nós europeus é muito estranho são os perus! Sim, aqui há uma espécie de perus selvagens que se passeiam pela rua com o à-vontade de um humano. Há uns tempos tive um no quintal, a esburacar-me os canteiros em busca de comida. São como os ibis, não têm medo de nós, não nos fazem mal e andam sempre em busca de restos de comida.

  Já me habituei a ter estas criaturas a fazerem parte do meu dia-a-dia e confesso que acho o máximo! Fazem-me sentir mais em contacto com a Natureza e a cidade deixa de ser apenas blocos de cimento onde pessoas vivem aos magotes e onde os carros entopem as estradas.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A loucura do Game of Thrones


   Quando ouvi falar a primeira vez achei que não seria o meu género, afinal não sou dada a fantasias e não gostei do Senhor dos Anéis (nada a ver!!)... A primeira temporada passou, com muito boas críticas mas eu não vi....
   Quando começou a segunda temporada, o Homer estava todo excitado e convenceu-me a ver. Gostei! Vi todos os episódios de seguida (1ª e 2ª temporadas) e fiquei presa à história, às intrigas, aos personagens. Achei a sombra que mata o Renly um bocado demais mas afinal já tinha aceite a presença dos dragões por isso....
   Terceira temporada... Red Wedding... boquiaberta... OMG isto promete!!!
   Quarta temporada, cada episódio, nova reviravolta! Eh pá isto está a ficar cada vez melhor! Raio do Joffrey que nunca mais morre, olha morreu!... Ai o anão que vai preso, ai o Mountain que está a levar a tareia que merece, ai caraças que o cérebro do príncipe explodiu! Olha, o velho que levou um tiro de besta na sanita!!!

   A série acaba e em conversa o D. conta-me que ficou completamente apaixonado pelos livros. Ele que adormece de cada vez que pega num livro (como é possível??!!) leu todos os livros num ápice (velocidade de não-leitor, claro!) e garante que são muito bons. Ainda por cima, o J. já me tinha arranjado os primeiro 4 e-books gratuitos...
   Bom, devorei (metade do tempo de D. ;-p) os 5 livros, 7 volumes, e posso dizer que adorei :D Mal posso esperar pelo novo livro!!! 

   A série é feita para o público americano por isso é condensada, muitas coisas são alteradas e inventadas, tais como as cenas de sexo da primeira temporada, a homossexualidade do Renly, a meretriz Rose, etc. Tudo para ter mais impacto visual! Os livros são escritos na voz dos mais diversos personagens, o que nos faz ver os mesmos eventos através de diferentes perspectivas e conhecer a fundo a complexidade de todos os envolvidos neste jogo pelo poder.
   As intrigas e a estratégia são o mais cativante, na minha opinião. E há todo um mundo que não nos é dito e que leva às mais diversas teorias. Quem é a mãe do John Snow? Será que o anão afinal tem sangue de dragão? Até onde vão os poderes do pequeno Bran?
   As surpresas são tantas, tantas! À medida que ia lendo os livros e afastando-me dos eventos retratados na série sentia-me que cada vez mais presa à história. Houve momentos em que tive de pegar no telemóvel e enviar mensagens ao D. sobre as revelações que ia descobrindo. Até raptei momentaneamente o  L., durante um jantar em Lisboa, para falar acerca dos livros e de todas aquelas coisas que os presentes que apenas vêem a série não sabem...
   A Anita dizia-me, e com razão, que quem não leu/lê os livros e apenas conhece a história retratada na série não sente estar a perder nada. Claro que faz todo o sentido mas depois de ser ler os livros não mais se olhará para a série da mesma maneira! É que os livros são mesmo mesmo muito bons :D

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

70 Primaveras

Keukenhof, Holanda - 2009
   Ontem a minha querida mãe completou mais um aniversário!

   Há dois anos cantei-lhe os parabéns ao vivo e a cores e vi-a soprar as velas. Ontem esperei ansiosamente pelo final da tarde (manhã em Portugal) para lhe telefonar a dar os parabéns. Sem dúvida, é nestas ocasiões que custa estar longe. É inevitável ficar triste nestas datas especiais e sentir as saudades apertarem mais forte.

   Mas também por viver longe sinto que valorizo muito mais todos os momentos que passamos juntas. Sinto que aprendi verdadeiramente que a distância física nada pode contra o nosso amor. Todos os dias estamos juntas em pensamento e onde quer que eu esteja ela está sempre comigo.

   70 anos, cheios de garra, com muita energia e muito positivismo. É uma alegria vê-la chegar a esta idade com tanto ainda para dar e viver.

  Muitos parabéns baixinha :D

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Fragilidade...

   Há notícias que nos fazem sentir um soco no estômago, uma tremenda falta de ar e a total incompreensão sobre o absurdo da vida. Mesmo quando os afectados não passam de meros conhecidos, pessoas com a quais nos cruzámos um par de vezes em festas de amigos, imaginar sequer o seu pesadelo dói de uma maneira inesperada.
   A vida é tão efémera e frágil que, quando nos apercebemos disso, viver assusta. Como se pode seguir em frente, sonhar, sorrir, quando o impensável se torna real.
   Confesso que me senti tremendamente triste, revoltada e principalmente desorientada. Ninguém merece viver a perda de um filho. Ninguém merece viver com o coração em chagas para todo o sempre.
   Na minha família, há um ramo de quatro irmãos (o meu pai incluído) que passaram por essa dor e garanto-vos que é uma ferida que não sara. As circunstâncias são todas diferentes, umas até mais compreensíveis do que outras, talvez, mas o coração de pai e mãe vive desde esse dia destroçado.
 
   Quem de fora assiste com incredulidade e impotência, apenas pode abraçar e mimar os bebés da sua vida, dar graças por tudo de bom que a vida lhe proporcionou e sentir um tremendo respeito por tudo aquilo que a todos foge entre os dedos sem que nada o possa evitar.

   A vida segue, não pára para ninguém, e nós como defesa refugiamo-nos nas nossas rotinas. Viramo-nos para as tarefas do dia-a-dia, preenchemos a lista das compras, estendemos a roupa, conduzimos para o trabalho, sem nos permitirmos em momento algum pensar na nossa própria efemeridade.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Cooking and Nature Emotional Hotel




   Quando voltamos a Portugal gostamos de descobrir novos recantos. Novos restaurantes, novos hotéis, pequenas localidades que ainda não tínhamos visitado. É uma vontade de fazer turismo e sentir que afinal houve tempo de férias, tempo que desfrutámos do país como meros visitantes, tempo que não foi passado a correr entre os muitos compromissos e visitas a familiares e amigos.
   Desta vez fomos até Alvados descobrir este novo hotel e este novo conceito. Junta uma localização idílica, perfeita para descansar e recarregar baterias, com a paixão pela culinária e boa comida! Para nós a combinação não poderia ter sido mais perfeita.
   Adorámos o hotel, pela decoração, pelo conforto, pelo serviço. É extremamente acolhedor e o ambiente faz com que nós sintamos em casa. 
   Tivemos azar com o tempo e a chuva não nos permitiu fazer os passeios pedestres que tínhamos planeado pela Serra dos Candeeiros e acabámos por ficar mais tempo a descansar. E como não podemos aproveitar a piscina aproveitámos o salão de massagens!
   As aulas de culinária foram muito giras! Os trabalhos mais chatos de preparação estavam já feitos, assim não há que descascar batatas, pesar ingredientes, nem lavar a loiça. A comida era excelente e tivemos sempre uns jantares super divertidos. 










     Aconselho vivamente a visita :-)