quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Portugueses pelo Mundo

Gold Coast, Queensland

   Sempre mantive o blog num certo animato. Nunca utilizei nomes próprios, fotos em que aparecesse, nunca partilhei posts nas redes sociais. Claro que há amigos que conhecem e visitam o meu blog, claro que já conheci pessoas através do blog.
   Abri uma excepção com um pedido da minha querida Andorinha e aceitei o convite do Filipe para falar de Brisbane na sua rubrica, Portugueses pelo mundo. Podem ler tudo AQUI.

   Tirando o meu nome, a minha cara (de óculos escuros) e a minha profissão o resto são palavras e relatos que sempre habitaram neste espaço. Não irão por isso descobrir muito mais sobre mim :-)

   E este espaço não vai mudar! Vou continuar a partilhar e a escrever sobre o que me apetecer e não me quero policiar por saber que mais conhecidos e familiares descobriram agora que este blog existe ou por saber que os outros bloggers que me visitam ficaram a saber o meu nome...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

I carry your heart with me...

  

   Há dias em que a distância dói mais. Não só nos dias de festejos e felicidade mas também nos dias de dor, em que queremos dar e receber o colo de quem nos é mais querido.

   Hoje o chão foi-te roubado debaixo dos pés de novo. Hoje questionas de novo os porquês, o sentido de tudo e sentes o coração apertado pela perda e pela injustiça.

   Hoje queria estar ao pé de ti...

   As minhas palavras de nada valem, talvez o meu abraço apertado pudesse ajudar a não te sentires só. Mas as escolhas que tomei têm um preço e hoje implicam que estejamos separadas por 18,166 kms.

   Contudo, trago-te comigo no pensamento e no coração. Sempre. Hoje talvez mais um pouco que ontem...

   E como me falta a varinha de condão que queria ter para te sarar as feridas, deixo-te com o poema que veio ao pensamento esta manhã quando pensei em ti...

I carry your heart with me(I carry it in
my heart)I am never without it(anywhere
I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
                                            I fear
no fate(for you are my fate, my sweet)I want
no world(for beautiful you are my world, my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A Amizade #5

  

   Quando atingimos a idade adulta torna-se mais difícil fazer amigos. Já temos uns tantos que fomos fazendo ao longos dos anos, dos tempos de liceu, faculdade e até do primeiro emprego. Depois, se e quando, começamos uma relação a dois juntamos os amigos de um lado e de outro e formamos um grupo de amigos do casal. Geralmente, a coisa fica mais ou menos por aí...
   Quando se vive fora do país e longe do que nos é familiar a importância das amizades assume outras proporções e as mesmas surgem de uma forma mais inesperada. A necessidade de criar laços é maior e as oportunidades são aproveitadas mais intensamente.
  
   Pessoalmente, já tive a sorte de fazer bons amigos através do blog, no comboio e até no Consulado. Isto sem falar do amigo do amigo que vive no mesmo país e de alguns colegas de trabalho que aos poucos vão fazendo parte da nossa vida e deixam de ser meros colegas.
   Gosto sempre de quando estas amizades surgem como que por acidente e de quando as coincidências são tamanhas que é impossível ignorar! Dá definitivamente mais cor à vida!

   Normalmente, existem dois factores de empatia instantânea: ou a outra pessoa também esta longe do país de origem e compreende os desafios, as dificuldades e aventura de viver longe de "casa"; ou há como que um sentimento de acolhimento por parte dos "locais" perante alguém que arriscou um salto sem rede para fazer do país deles a sua nova casa. 
   Os amigos que vamos fazendo nestas etapas acabam, de certa forma, por preencher o espaço vazio deixado pela distancia física da família. São eles que chamamos para fazer uma mudança, para nos irem levar ou buscar ao aeroporto, para nos visitarem no hospital ou para nos trazerem compras do supermercado quando estamos de cama com gripe. São também a eles que recorremos se precisamos de alguém que nos regue as plantas quando vamos de férias ou a quem damos uma cópia das chaves para o caso de fecharmos a porta com as chaves lá dentro.

   Vir para Sydney custou-me nesse sentido pois já tinha um "grupo de amigos" de quem gosto muito e de quem vou sentir saudades. Claro que estamos a uma hora de avião e acredito que haverão várias visitas de parte a parte mas é difícil começar do zero.
   A A. vive cá, bem pertinho por sinal, e para nós isso é um grande apoio e um motivo de felicidade. Há 10 anos que não vivemos na mesma cidade e agora é uma festa :-)

   E eis que no meio da confusão da mudança e da intensidade destas ultimas 3 semanas recebi um email super simpático através do blog. Um convite para um café, que se prolongou para jantar e "ceia". Uma tarde/noite muito bem passada e a promessa de novas sessões de conversa :-)

   Por isso, hoje sinto-me muito feliz de ter deixado a minha zona de conforto e ter mudado de país e cidade umas tantas vezes. Sinto-me feliz por ter criado o blog como uma espécie de diário de bordo das minhas aventuras. Sinto-me feliz por viver de braços e peito aberto a novas oportunidades, desafios e amizades. E tenho a certeza que quando um dia mais tarde olhar para trás vão ser estes os momentos que irei recordar com carinho!

domingo, 18 de janeiro de 2015

Novo Capítulo - Sydney

Sydney - Março 2010 (a nossa primeira visita!)


   A mudança para Sydney tem sido super intensa. Pela primeira vez, nesta vasta experiência de mudanças, estou a trabalhar a tempo inteiro ao mesmo tempo que empacoto e desempacoto caixotes. Isto faz toda a diferença pois não só as coisas demoram mais tempo como o nível de cansaço e a preguiça assumem outra proporções.

   É também a primeira vez em que não tenho tempo para tomar o pulso da cidade e me entrego desde o primeiro momento à rotina. Claro, que neste caso já conhecia a cidade de anteriores visitas mas a perspectiva de turista e a de residente é sempre distinta. Ainda pouco conheço da minha vizinhança, à parte do supermercado e do centro comercial mais próximo…

   Do ritmo da cidade e da rotina posso dizer que me faz lembrar Londres. Mas com sol! O mesmo conceito do centro de negócios e comércio (CBD), a quantidade de gente na rua, quer turistas quer gente que se desloca em "manadas" para os inúmeros escritórios (eu incluída!), as filas nas estações de comboios para passar os torniquetes. 

   Apesar da confusão, é excelente saber que encontramos tudo ao virar de cada esquina. Aqui há a Zara, a Gap, a HM que não existem em Brisbane, o supermercado está aberto até à meia-noite (a loucura!). Ontem depois do jantar, fomos ao Messina comer um gelado e eles estão aberto até às onze e meia da noite! Desde que saímos de Lisboa que não vivíamos estes luxos ;-p

   Ainda me estou a acostumar a viver na cidade grande de novo mas o saldo até agora está a ser bastante positivo!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Mais uma moedinha, mais uma voltinha!

   Isto era o que os senhores dos carrinhos de choques gritavam nas feiras a chamarem por nós jovens pré-adolescentes hormonais. E haverá coisa mais parva onde gastar a mesada do que uns carrinhos que andam à roda de uma pequena arena, ligados por cabos eléctricos, ora a fugir ora a chocar de propósito com outros carrinhos?! Mas as hormonas gritavam alto e lembro-me de que era uma maneira divertida de contactarmos com o sexo oposto de forma inocente ;-) Por isso, esta frase traz-me boas recordações de um tempo em que mais uma moedinha era mais uma possibilidade de chocar com o carro do puto giro lá do bairro!
   A expressão entrou assim desprevenida para o meu vocabulário e sempre que me encontro numa situação repetitiva lembro-me sempre dos carrinhos de choque das feiras ;-p
   Este pequeno interlúdio para vos dizer que nós andamos em mudanças outra vez!!!


   Desta vez não vai ser uma mudança tão radical, não envolve outro país ou continente, apenas outra cidade, noutro estado. Deixamos para trás Brisbane, Queensland, em rumo a Sydney, New South Wales. De novo são as oportunidades profissionais que nos levam a mais uma voltinha com a casa às costas!
   A minha mãe dizia-me noutro dia que com a minha experiência já podia dar cursos sobre mudar de casa, cidade ou país. E de facto, já tinha material para um livro, eh eh eh eh
   O mais importante, a meu ver, é a organização. Eu sei por onde devo começar a empacotar as coisas, as caixas estão enumeradas e sei o que está em cada caixa. Não só facilita para o caso de precisar de encontrar alguma coisa mas ajuda muito na altura de desempacotar tudo de novo. Eu tiro fotos às estantes para saber qual a posição em que estavam os livros, loiças e bibelots. Eu tenho uma lista de serviços que temos de contactar e uma lista de entidades a que temos de avisar da nossa nova morada. E assim, as coisas sequem em piloto automático e sem muito stress.
   É sempre uma trabalheira e uma seca mas têm sido as escolhas que temos feito e não me arrependo de nenhuma das nossas mudanças. Em 11 anos de vida em comum, está será a oitava casa, em quatro países e dois continentes ;-)
   Agora que as coisas estão encaminhadas estou entusiasmada com o que nos espera nesta nova etapa!

sábado, 27 de dezembro de 2014

E passou mais um Natal...


   Este é o nosso terceiro Natal no Verão e ainda não consigo sentir o espírito natalício quando estou de calções e havainas! É estranho estar a morrer de calor, entrar num qualquer centro comercial, dando graças pelo ar condicionado, e deparar-me com decorações de Natal, muitas com delas com alusões à neve a ao frio.
   Quando ainda vivia em Portugal não ligava muito a esta quadra mas a vida de emigrante faz com que as saudades e alguma nostalgia apertem mais forte nestas alturas. Contudo, o facto de aqui fazer calor e de irmos para a praia faz com que o Natal não passe de mais uma dia no calendário.
   Este ano como andamos entretidos com questões maiores não tínhamos grandes planos mas aceitámos o convite de uns amigos portugueses. Éramos 4 casais, sem família cá, sentados à mesa de volta do bacalhau e bolo rei. Conversámos, rimos e trocámos presentes. Foi uma noite bem passada mas não me soube a Natal....
   Faltaram-me os sonhos, as filhoses, o arroz doce... Faltou-me a família e o aquecedor ligado... Faltou-me os programas tolos da TV e as conversas com os meus pais em volta da mesa posta para a ceia...
   Por isso, a vida voltou rapidamente ao normal e as nossas tarefas não tiveram direito a grandes pausas!