domingo, 2 de junho de 2013

Descobertas no supermercado

Star Fruit

Dragon Fruit

Custard Apples

Rambutans

Tenho um amigo que sempre que viaja adora passear-se pelos corredores do supermercado à descoberta de novos produtos, marcas, etc. A verdade é que se descobrem coisas interessantes e dizem muito sobre a cultura de um povo. 
Aqui podemos encontrar muitas superfoods, muitos ingredientes japoneses, malaios, chineses e indianos, imensas opções para um churrasco e alguns produtos locais bem exóticos. Na zona da fruta e legumes estou sempre a encontrar coisas novas, algumas dos quais não sei o que são ;-p
Aqui vos deixo algumas fotos tiradas ontem com o telemóvel enquanto fazia as compras semanais...

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mal da "cuca"




Não tenho tido muita vontade de escrever apenas porque não me tenho sentido eu mesma... No último mês tenho sentido dores de cabeça constantemente que me levaram ao médico e a fazer uma catrefada de exames, inclusive um TAC e uma ressonância magnética. Os resultados não acusam nada errado do ponto de vista fisiológico. Mas a verdade é que as dores de cabeça não passam, acordo vezes sem conta durante a noite e embora aliviada por não serem sintomas de nada de grave, ando cansada, moída e de pavio curto....

Já não é a primeira vez que tenho sintomas que depois de vários exames diagnósticos são inexplicáveis. Foi aliás assim que descobri e me apaixonei pela medicina chinesa. Passei cerca de seis meses a "vomitar-me" e depois de ecos, endoscopias, muitas noites no SAMS a soro, etc. todos os exames diziam que estava tudo bem e uma médica na urgência uma vez disse-me que o meu problema era na "cuca"... Pois que sim, ela até devia ter a razão e hoje vejo com alguma clareza que os sintomas eram de facto psicossomáticos.

Afinal de contas, também tinha antes sofrido de otites quando trabalhava num sítio cheio de gralhas que passavam o dia a cortar na casaca dos outros. Quando de lá saí, nunca mais tive nem uma otite.....

Como diria o Homer, sou "especial" que é como diz tenho uma grande panca, lol Ou "sensível à felicidade" (whatever that means!) como me disse uma manhã destas, ah ah ah ah ah ah ah ah

O que me lixa é que embora seja muito simpático que o meu corpo me decida brindar com estes avisos de que algo não está certo, isto é de facto perturbador e nem sempre a resolução é simples. Neste momento sei que não estou realizada com a minha vida profissional mas com contas para pagar ao final do mês não posso simplesmente desistir à espera de algo melhor. Há projectos que levam o seu tempo a realizar e às vezes temos de engolir alguns sapos como meio para atingir as nossas metas. Mas o que fazer raio da "cuca" não deixa o físico sossegado porque não gosta de sabor a sapo???

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O campus universitário

Nós moramos ao pé da universidade e como tal fazemos uso das suas infra-estruturas. As aulas de natação são na piscina da universidade bem como as aulas de kung-fu do Homer. Os preços para o público são bastante simpáticos, a proximidade torna tudo mais prático e as infra-estruturas são muito boas. Mas não é só uma piscina e um ginásio (com variadíssimo número de aulas de grupo) que a universidade oferece. Há também campos de futebol, pistas de corrida, courts de ténis, aulas de remo ao longo do Brisbane River, etc. O campus é rodeado de árvores, imensos espaços para fazer jogging e passear pela natureza, lagos com patinhos, etc. Há a residência de estudantes, há edifícios para as várias faculdades, bancos, restaurantes e anfiteatros com exposições, etc.



Eu que estudei numa faculdade no centro de Lisboa, em que alguns edifícios eram novos e mal construídos e outros velhos e feios sinto pena de não ter tido oportunidade de usufruir de um campus assim. Nós tínhamos uma cantina e um bar que de apelativo não tinham nada e uma mesa de matraquilhos. A grande vantagem era mesmo a localização central :-)



 
Quando era pequena imaginava sempre a experiência universitária como sendo o período mais fantástico da vida de um jovem adulto. A minha experiência universitária foi boa mas ficou muito além das minhas expectativas de jovem adulta. Nada foi como nos filmes, lol. A maior parte dos professores não nos inspiravam, muitas disciplinas eram chatas e sem aplicação prática. O espírito académico não era cultivado pois era uma universidade de pseudo-intelectuais de extrema esquerda, que usavam boinas e vestiam-se na Feira da Ladra. (Nada contra, eihn!)
 
Talvez por não ter vivido essa fantasia sinta ainda um grande fascínio por universidades, pelo ar de esperança que se respira, pelos sonhos que fervilham no ar, pelas jovens mentes sedentas de novas descobertas. Para mim são lugares mágicos, cheios de possibilidades.
 
Por isso, também gosto muito de ir para o campus de St Lucia, passear à beira-rio, e reviver os meus próprios sonhos, as minhas esperanças e os meus ideais. Olhar para o percurso percorrido e recarregar baterias para o percurso que se apresenta em frente a mim...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Os clássicos


Nesta onda de leitura compulsiva também me tenho virado para os clássicos. Estes podem ser descarregados no iBooks e no Kindle gratuitamente o que por si só é uma mais valia!
Li mais um livro do Oscar Wilde, An Ideal Husband, e como sempre não desiludiu. O livro está escrito como uma peça teatral o que lhe dá uma leveza e fluidez de diálogos. Transportou-me para aquela época e imaginei-me nos salões de Downton Abbey, lol
Entusiasmada pela leitura decidi dedicar-me à Jane Austen. Os filmes como o Senso e a Sensibilidade nunca me suscitaram grande interesse (desculpem se vos choquei com tal revelação!) mas estava com curiosidade em ler os livros. Peguei então no Persuasion e devo confessar que o livro aborreceu-me tremendamente. Aquelas questões de honra e dignidade, as questões existenciais das meninas que se querem dedicar à rambóia mas que estão demasiado obcecadas com as aparências, os valores invertidos da época aborrecem-me. O que eu gosto mesmo é do lado irónico do Eça que as partia logo a loiça toda ao trazer ao de cima "os pecados da Igreja", as cowboiadas entre irmãos, as indecências das adúlteras, etc. Mas estes engonhanços de
"ai ele olhou para mim, preciso de um momento para me recompor" cansam-me.
Sei que isto não é nada ladylike da minha parte mas o que eu gosto é de cenas escaldantes não daqueles que "não cagam nem saem da moita", como aprendi com uns amigos brasileiros, lol

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Seis Meses


King´s Beach, Sunshine Coast


Mais uma etapa, mais uma data a celebrar. Dizem os que passam por isto de viver num país diferente que os primeiros seis meses são os mais difíceis em termos de adaptação, organização e até também em termos de questionarmos a nossa decisão. Embora esta seja a terceira grande mudança posso seguramente dizer que são todas diferentes. Acarretam sentimentos diferentes e novos desafios.

Desta vez, penso que a distância física e até o fuso horário faz com que as saudades apertem mais forte. Sei que não posso ir visitar a família e amigos com a mesma regularidade e isso tem um tremendo impacto psicológico.

Outro grande desafio tem sido desapegar-me das coisas boas que tinha no Reino Unido. A maior dificuldade tem sido em termos profissionais pois embora as pessoas com quem trabalho sejam na maior parte bastante simpáticas, a verdade é que não me sinto “enturmada”. Sinto que há pouco em comum entre nós, há uma imensa pressão e controlo por parte das chefias o que não aprecio, e pouco espaço para se desenvolverem relações de companheirismo no dia-a-dia, o que para mim é essencial em qualquer que seja o trabalho. Lembro-me de alguns sítios em que não gostava do trabalho ou onde discordava bastante com a posição das chefias mas onde havia um grande companheirismo e onde fiz amizades que ainda duram até hoje.

Finalmente, o nosso apartamento já se parece com uma casa. Já desempacotámos as nossas caixas, montámos as estantes do Ikea, arrumei os meus livros e pendurei alguns dos meus quadros. Isso para mim traz-me um conforto que não sei explicar. A minha casa é um porto seguro e preciso de me sentir rodeada das minhas coisas, no seu sítio e em ordem para me sentir tranquila. Descobri que sou de facto muito apegada a pequenas coisas pois trazem-me recordações de viagens, momentos, pessoas especiais, etc.

Começo a conhecer o nome das ruas da cidade de Brisbane e já sei encontrar uma loja ou um determinado serviço sem precisar de consultar o google maps! E até já consigo conduzir alguns percursos sem GPS, lol

Continuo com as aulas de dança e natação e já vejo progressos em ambas. A professora de natação já me "mandou" ir para as aulas de intermédios mas eu ainda não me sinto preparada para ir para a piscina dos meninos crescidos ;-p

Ainda quero fazer e descobrir muitas coisas que vem nos guias turísticos mas já sinto conhecer o pulsar desta cidade.

Voltei a sentir o quanto o tempo e o sol pode influenciar a nossa vida. Posso estar a ter um dia super ocupado, stressado, aborrecido, etc. mas assim que chego à rua, olho para o sol azul e oiço os corvos com os seus gritos estridentes e dou por mim a sorrir.

O balanço é, sem dúvida, bastante positivo. Tem sido um percurso de altos e baixos tal como tudo aquilo que vale a pena. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Como nem sempre a leitura é fácil...



Como disse, tenho lido bastante nas últimas semanas:

   Li a autobiografia do Dalai Lama. Foi un livro que li devagar e sobre o qual fui ponderando. As suas lições são de uma grande simplicidade mas ao mesmo tempo muitíssimo complexas. O seu percurso é interessante, conturbado e ao mesmo tempo cheio de esperança e amor.


   Li o "Equador" que há muito tempo habitava na estante à minha espera. Li o depressa, agarrada à intriga, ao desenvolvimento da acção, ao lado humano e ao lado histórico dos relatos. Não nutro pelo Miguel Sousa Tavares uma especial simpatia, nem sequer sei explicar porquê... Apenas não vou com a cara dele... Mas adorei o livro, a sua escrita e acho que o sucesso do livro é por demais merecido.


   Li o "A Monster Calls" que comprei no aeroporto há meses atrás. A estória pareceu-me um pouco juvenil mas a verdade é que me prendeu e me soltou as lágrimas. O que não é fácil com livros... 
   Talvez porque acho que um adolescente não deve perder a sua mãe, porque uma mãe não deve ser levada por uma maldita doença após tanta luta. Talvez por que a vida às vezes é cruel e difícil e já vi os meus sobrinhos a passarem por tal dor...


   Peguei também no "333". Tinha trazido este livro numa das minhas visitas a Portugal. Apenas o comprei pois o Pedro Sena-Lino foi meu colega de faculdade... Eu andava no segundo ano quando ele entrou para o primeiro ano e tivemos aulas de Latim I e II juntos. A grande diferença é que eu não pescava nada daquilo e o Pedro e o seu grande companheiro, cujo nome não me lembro, eram craques! Para eles o latim não tinha segredos e pior ainda eles gostavam daquilo. Ora isso é motivo mais do que suficiente para desconfiar de alguém, lol
   Fiquei curiosa e trouxe o livro comigo mas demorei muito tempo até me apetecer pegar-lhe. Quando o comecei a ler não me entusiasmou mas decidi insistir a ver se melhorava. A meio do livro estava a bradar aos céus com as tentativas pseudo-intelectuais, com a complexa linguagem com a estrutura desconexa. Pensei, fui eu dar dinheiro para isto! Insisti e finalmente na página 150 o livro tornou-se interessante mas o pior é que o livro só tem 173 páginas... 
   Achei que a ideia do livro era interessante mas na minha humilde opinião não conseguiu prender o meu interesse, a minha vontade de descobrir o que tinha acontecido aos 333 exemplares impressos e quais os segredos guardados no livro que levaram à sua destruição.
   Fico zangada de cada vez que perco o meu tempo com livros que não me saciam o prazer de ler e que me irritam com pretensões vãs! Tenho dito...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de Abril



Aqui hoje também é feriado. É Anzac Day, um dia em que se relembram as vítimas das Primeira e Segunda Guerras Mundiais.

Eu penso em cravos vermelhos, na luta pela liberdade, nos sonhos de um povo que ambicionava uma vida em que a palavra tivesse força, os sonhos tivessem pernas para andar e as classes mais baixas pudessem viver com dignidade.

Pelas notícias que me chegam de Portugal sinto que tudo isto está a ser posto em causa. Não por uma ditadura retrógrada mas por um conjunto de meninos ricos, vestido de fato e gravata, que vivem à custa daqueles que honestamente trabalham 40 ou mais horas semanais, pagam os impostos a tempo e hora (porque não tem como fugir ao fisco como eles!), e cada vez se sentem mais desmotivados, desiludidos e com menos qualidade de vida. Isto revolta-me e entristece-me...

Sei que depois da revolução dos cravos muitos erros foram cometidos mas acredito piamente que aqueles que lutaram para nos devolverem a liberdade não esperavam que quase quarenta anos depois os portugueses vivessem quase sem esperança...