
No Sábado fomos até Greenwich para ver a adaptação d´
Os Maias ao teatro. Este foi um livro que muito me marcou e que me aguçou ainda mais a paixão pela literatura. Lembro-me dos meus colegas de liceu a queixarem-se das intermináveis descrições e a irem a correr comprar a versão reduzida da Europa-América enquanto eu devorava as páginas do livro nas paragens do autocarro.
A expectativa era muita e a curiosidade imensa. Sabia que a directora era portuguesa por isso esperava que as personagens reflectissem a nossa cultura. E, principalmente, que não atraiçoassem a imagem idealizada que eu tinha delas.
O teatro é uma sala pequena e intimista. A companhia é pequena e o cenário e adereços pobres. Mas a qualidade e o empenho são grandes e enchem-nos o peito!
O Ega fez-me rir, o Alencar lembrou-me a nossa gente e o Dâmaso personificou a crítica social tão característica ao Eça. Achei imensa piada à forma como os pobres ingleses tentavam pronunciar nomes e locais, tais como Celourico, Guimarães, João e Carlinhos, entre outros. Os sentimentos foram contidos e a leviandade foi sugerida, não de todo como eu me lembrava do livro. Mas, considero que foi uma boa adaptação, que retratou fielmente a nossa raça!