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terça-feira, 6 de julho de 2010
Mudanças

Já vivi em 9 casas espalhadas por 3 países diferentes. Ora, isto dá uma média de mudança de casa a cada 3 anos e meio. Considerando que vivo na Holanda há sensivelmente 4 anos e já estou nesta casa há 3, não será de estranhar que esteja a empacotar tudo de novo.
E, desta vez, será novamente uma mudança dupla: de casa e de país! Pois que decidimos aceitar mais um desafio e partiremos para Inglaterra já no final desta semana :)
Os pertences estão já quase todos empacotados, as burocracias também estão tratadas e o nervoso miudinho começa a deixar-nos inquietos. Numa aventura desta envergadura há sempre receios e ansiedade mas também há uma grande vontade de descoberta e conquista. Pensamos no que deixamos para trás, nos investimentos que fizemos ao longo destes 4 anos (emocional e profissionalmente) e olhamos com alegria em frente, cheios de força para abraçar mais uma nova etapa lado a lado.
A minha irmã mais velha dizia-me noutro dia ao telefone que eu era como o caracol porque andava sempre com a casa às costas ;-)
Em cada mudança tenho mais caixotes, talvez dos livros que vou acumulando, LOL, mas a verdade é que cada vez é mais rica a bagagem...
terça-feira, 8 de junho de 2010
In Memoriam - Diuska

Esta menina estava abandonada perto do emprego do Homer em Alfragide. Estava muito magrinha, cheia de medo e dormia em cima de um monte de urtigas. Quando um dia o fui buscar, ao final do dia, não resisti ao seu olhar tristinho e, com ajuda da C., enfiámos a bichinha no carro e trouxemo-la para casa. Ela estava muito assustada mas nem assim hesitou em entrar em casa connosco.
A partir desse momento seguiu-nos para todo o lado. Literalmente! Lembro-me das primeiras manhãs em que ela ficava à toa sem saber qual de nós seguir enquanto nos arranjávamos à pressa para sair de casa.
Nos primeiros tempos tinha muito medo de estranhos. Durante os seus passeios chegava a parar e encostar-se às minhas pernas quando nos cruzávamos com alguém na rua. Mas desde logo percebemos que ela já tinha vivido numa casa. Era muito asseada e adorava subir para o sofá ;-)
Com o tempo foi ficando cada vez mais confiante e feliz!
A Diuska adorava correr! Ficava tão feliz quando a levávamos à praia e ela podia andar solta à vontade. Corria para trás e para a frente e nunca se cansava.
Era a companheira perfeita. Muito sossegada, sempre ao nosso lado, muito meiga. Dava-se muito bem com crianças e apesar do seu tamanho era muito gentil e cuidadosa com os pequenotes. Foi perdendo também o medo dos adultos e deixava que lhe fizessem festas sem se encolher.
Quando a recolhemos ela já devia de ter entre 6 a 8 anos o que para um cão de grande porte já é bastante. Partilhou a nossa casa e a nossa vida durante 3 maravilhosos anos. Foi tratada como uma rainha e nunca permitimos que lhe faltasse nada.
Veio ter connosco à Holanda mas infelizmente não esteve entre nós muito mais tempo. Uma fortíssima infecção no fígado levou-nos a nossa menina dos nossos braços, literalmente. Passados quase 4 anos as saudades são ainda muitas...
Muitas são as vezes que aqui falo e coloco montes de fotos do Mozart. Hoje quis aqui falar da minha outra canídea ;-) São dois animais com percursos de vida e personalidades completamente diferentes mas no meu coração têm um lugar igualmente importante.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
A Amizade #2

Desde que me lembro de ser gente que me lembro de ser amiga da M. e da J. (irmãs). Durante anos fomos inseparáveis. Não havia segredos, ciúmes ou mágoa entre nós. Éramos inocentes e nos nossos corações brotava um amor incondicional e indestrutível.
Quando tinha 12 anos fui viver para os Estados Unidos. Quando regressei a Portugal, dois anos mais tarde, as minhas grandes amigas do coração já tinham também elas crescido. As diferenças socio-culturais já não eram tão fáceis de ignorar, os círculos de amigos bem distintos, os hobbies bem diferentes.
Com o passar do tempo os nossos destinos foram-nos afastando cada vez mais até que um dia lhes perdi o rasto. Mas nunca me esqueci delas, dos maravilhosos tempos vividos, das partilhas, das brincadeiras, da cumplicidade.
Noutro dia no facebook decidi procurá-las. Encontrei-as! Trocámos mensagens e ficámos mais ou menos a par do muito que se passou nas nossas vidas desde então.
Não sei se algum dia voltaremos a ser "Amigas" mas tenho a certeza que os sentimentos que nos uniam na infância sobrevivem numa parte de nós e jamais nos esqueceremos da profunda irmandade que nos uniu.
Foto: Guincho, Fevereiro de 2004
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
A Amizade #1
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
A Bimby, a Maizena e a minha avó
Quando era pequena era muito "ruim para comer". Os castigos sucediam-se, as horas sentada à mesa estendiam-se e não amiúde o prato do almoço chegava cheio à hora do jantar. "Ou comes isso tudo ou não comes mais nada.-." - foi a banda sonora da minha infância (com algumas variações, entre elas as mais comuns: "não sais da mesa" ou "não vais brincar").
À minha avó cabia a hercúlea tarefa de me dar o almoço (ao jantar estava em casa o temido homem das barbas ;-p). As tentativas para que eu comesse eram muitas e o miminho de avó também as influenciava grandemente. Assim sendo, por vezes o almoço era papa em vez de sopa. É que a papa até que ia marchando sem tanta guerra e como tinha leite sempre alimentava a criatura. Entres as favoritas estavam a Predilecta e a Maizena.

Os anos foram passando, o acto de comer deixou de ser temido e começou a ser apreciado (talvez até demais!) mas o gosto pela papa ficou. Só que trouxe consigo um grande handicap: a incapacidade de fazer uma boa papa de Maizena. Ora fica muito líquida ora muito grossa... Por alguma razão, quando cozinho guio-me muito pelas cores e sendo a Maizena branca como o leite está criado um obstáculo que a minha pobre e complexa massa cinzenta não é capaz de ultrapassar.

Este ano o Pai Natal foi generoso e a mãe do Homer ofereceu-nos uma Bimby. Já tinha ouvido falar mas ainda não conhecia. Rapidamente, percebi o fascínio da coisa e lhe comecei a dar uso. Afinal de contas, é prática, rápida e a comida sai bem. Hoje, indecisa sobre o que fazer para o almoço, lembrei-me das papas da minha avó. Tinha Cerelac e Maizena no armário... De repente, fez-se luz e toca de pesquisar no fórum da Bimby por papa de Maizena. E não é que encontrei as indicações.
Pois que sim, que fica muito boa! Bimby subiste uns pontos na minha consideração pois trouxeste de volta um dos sabores da avó Judite :)
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Conotações
É isso e chamar querido a alguém: "Ah e tal, é um querido!" Um querido é aquela pessoa da qual não temos nada de melhor para dizer e que ao mesmo tempo dá alguma coisa que apesar de não nos interessar, também não queremos deitar fora. É um gajo que não nos enche as medidas, nem de longe nem de perto, mas que mesmo assim nos dá uma atenção especial que nos faz bem ao ego.
Eu nunca gostei de queridos...
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Delícias

Viver longe implica que não possa acompanhar o crescimento dos meus sobrinhos (embora alguns já sejam bem grandes ;D) e dos filhotes dos meus amigos. É que a maior parte dos nossos amigos já decidiu procriar, lol
Nestas férias temos visitado os "nossos pequenotes". Dar miminhos, rir com as suas graçolas, brincar com eles no chão, gravar momentos a ferro e fogo no coração :)
Ontem estivemos com um menino, que não sendo desprimor para ninguém, me é muito especial. Ele nasceu no meu dia de aniversário e talvez por isso sinta com ele alguma cumplicidade. É um espertalhão, irrequieto e endiabrado q.b., e muito, mas muito, meiguinho. Há mais de um ano que não o via pessoalmente mas vim para casa a sorrir e de coração cheio dos muitos beijinhos e abracinhos que dele recebi :)
Só por isto já valeu a pena viajar 2200 km!!!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Livros sem fim
Adoro ler! Leio bastantes livros porque me dá um prazer único viajar nas mais diversas estórias e descobrir novos mundos. Gosto de rir, chorar, de sentir medo e prazer ao ler as palavras de outra pessoa. Palavras essas que criam um universo que é nosso! Mas há livros dos quais desconheço o fim. Livros que não me conseguem prender às suas páginas, cheios de palavras que não agarram a minha atenção. Livros sem sentimento para mim... ou, quem sabe, até sem sentido...
Sinto-me frustrada ao tentar em vão embrenhar-me nas páginas de um livro e descobrir que a meio de uma tal página estou a fazer mentalmente a lista das compras do supermercado. Desiludo-me a cada momento em que perco o fio à meada e tenho de voltar atrás alguns parágrafos. Aborreço-me a acabo por fechar o livro e pousá-lo.
Mas não consigo desligar-me. Esses livros ficam sempre num espaço pendente. No parapeito da janela do quarto, na mesa de cabeceira, na estante do escritório. Não consigo terminar a relação mal sucedida assim a frio...
Por vezes, faço novas investidas mas nem sempre consigo lê-los até ao fim. Eles habitam na minha casa , na minha mente e embora não sejam mágicos como os outros, embora não me dêem tal prazer, não sou capaz de os deitar fora, reciclá-los, esquecê-los.
E é estranho, pois eu sou capaz de reciclar e deitar fora tanta coisa... Mas essas palavras são de outro alguém, não me pertencem para que possa mandá-las às urtigas...
sábado, 31 de outubro de 2009
O meu mau feitio...

A minha família tem a mania de dizer que eu tenho mau feitio... Que a minha linhagem paterna está cheia de boas pessoas com muito mau feitio...
Muitas vezes sinto que tenho mais fama do que efectivamente proveito e isso irrita-me. Sou extremamente expressiva e por isso mesmo quando algo me desagrada não tenho dificuldade em demonstrá-lo.
Mas a tendência a esquecer as provocações anteriores ao meu "ataque de mau feitio" é frequente... Os sonsos são sempre os coitadinhos enquanto a má da fita é aquela que fica enxofrada e levanta o tom de voz (ao se ver forçada a repetir a mesma coisa que nem um disco riscado!)...
Eu não gosto de discussões, detesto conflitos mas protejo sempre os meus limites e barreiras e não permito que ponham "a pata em cima". Se isso é mau feitio, so be it!
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Com palas nos olhos como os burros!

Cada vez mais me convenço que a sociedade onde vivemos não sabe como lidar com a diferença... Nas mais diversas situações ao longo da minha vida já me senti como um alien de olho no meio da testa por ousar remar contra a maré...
Claro que quando decidi enveredar por um curso de Medicina Chinesa não foi diferente. Ainda há gente que acha que a acupunctura ou a fitoterapia devem ser formas de bruxedo ou algo semelhante. Muitos são os que me dizem que não acreditam... Malta, não é uma religião, não têm de acreditar em nada!!! E podem ser os maiores cépticos e ainda assim obterem resultados maravilhosos com umas tantas sessões de agulhinhas ;-)
É claro que após anos de estudo eu compreendo perfeitamente que as pessoas não entendam a forma como a Medicina Chinesa encara a saúde, o equilíbrio e a doença. E estou sempre disposta a explicar, de uma forma simples, como é que tudo se encaixa e passa a fazer sentido. E muitos são aqueles que acham super interessante e ficam inclusivamente fascinados. Basta pensar que se me doer a cabeça e eu massajar um determinado ponto nas costas da mão sinto um alívio quase imediato ;-p
Mas o que me irrita são aqueles, que sendo ignorantes, preferem continuar assim a abrir um pouco os seus horizontes. Eu acredito cada vez mais que há pessoas que estão sempre doentes por não se querem curar! Porque isso lhes traz carradas de atenção, porque aprenderam a (sobre)viver assim, porque de outro modo não mais seriam vítimas do infortúnio e consequentemente não poderiam ter pena de si mesmas e queixar-se, queixar-se, queixar-se...
Uma colega minha do curso de holandês está sempre a faltar às aulas pois que sofre de enxaquecas constantes. Ela está claramente deprimida pois não gosta de viver aqui e acaba por ficar fechada em casa o tempo todo. Anda sempre com um ar super infeliz. Preocupada com a sra., perguntei-lhe se se sentia melhor ao que ela me respondeu que nem por isso. Perguntei-lhe então se já tinha pensado em experimentar acupunctura, visto que o que quer que seja que ela está a fazer não está a funcionar. A resposta foi surpreendente: "Para ser muito honesta tenho muito medo desses métodos alternativos pois considero que o conhecimento não é sólido..."
Uma medicina que tem milhares de anos, cujas "bíblias" datam de 2500 a 2700 A.C. (e que ainda hoje fazem todo o sentido!) não tem por base um conhecimento sólido?! Come Again?!
Lá que não saibamos nada do assunto tudo bem mas daí a mandar bitaites destes para o ar já parece um nadita mal, não?!
É que eu só fiz uma sugestão com as melhores das intenções e numa tentativa de ajudar e acabei por me sentir uma otária! E como é óbvio nem me dei ao trabalho de argumentar pois há alturas em que não vale mesmo a pena... E nem sequer estava a querer angariar uma cliente pois ainda não terminei o curso, lol
PS - É claro que eu considero a medicina ocidental extremamente importante e indispensável! Considero que ambas se podem complementar para uma melhor prevenção de saúde para todos....
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Porque as palavras parecem sempre pouco...
Muitas têm sido as histórias que me tocam desta maldita doença. Muitas as pessoas que já vi partirem. E muitas as outras que, embora indirectamente, me tocam profundamente pela sua injustiça e crueldade.
E as minhas palavras parecem sempre tão vãs perante a dor dos que ficam, dos que acompanham o sofrimento dos seus queridos, dos que por momentos não podem expressar a sua angústia...
Mas um gesto vale sempre mais que mil palavras :)
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Pesadelos
Normalmente, sonho bastante durante a noite (e durante o dia também, lol). De manhã, quase sempre me consigo lembrar dos absurdos que me entretiveram durante o sono. Mas o pior de tanto sonhar é que por vezes os sonhos são literalmente pesadelos. Daqueles que nos fazem acordar de sobressalto, com falta de ar e com as pulsações cardíacas em total descontrolo. Esta noite não foi um, mas dois :( E não há nada que me traga tão mau humor logo pela manhã do que uma noite mal dormida e a cabeça cheia de imagens perturbadoras.
Considerando que todos os sonhos trazem consigo mensagens codificadas do nosso inconsciente não consigo evitar tentar compreender as imagens horríficas que me perseguiram à noite. E isso aumenta ainda mais o meu mau humor...
Por isso mesmo, evito ver filmes com imagens fortes antes de ir dormir, pois é certo e sabido que elas vão aparecer sob uma qualquer forma durante a madrugada. E isto chega ao ponto de sonhar com o "Godzilla" após ter visto essa grande banhada de Hollywood ;-p
Por isso a minha companhia antes de ir dormir é o Frasier. Os seus qui pro quos fazem-me sempre soltar umas valentes gargalhadas! O mais curioso é que no episódio de ontem à noite tanto o Frasier, como o Niles e a Daphne, estavam a ter horrendos pesadelos onde viam reflectidos os seus medos... Spooky ;-)
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
De Coração Cheio
Foi assim que eu cheguei de férias...
Foram dias de muita conversa e gargalhadas com o mano, a cunhada e a sobrinha mais velha. Muita comidinha boa e muito queijinho suiço. E, sobretudo, muita brincadeira com a piolha da família. Tem 5 anos, é super esperta, não pára quieta um segundo, pendura-se em todo o lado e é super teimosa. Mas é também super meiguinha :)
Inventa histórias de queijos e fiambres que vivem num iglu em Espanha e tem sempre, mas sempre!, resposta pronta na ponta da língua.
sábado, 19 de setembro de 2009
Slow Down
Fiquei a pensar: quantas vezes não nos fez falta um sinal assim nas nossas vidas? Quantas vezes não teria sido benéfico um abrandamento para reflectir e para saborear a vida?
Parece que nos dias que correm quanto mais se faz melhor. Quem não tem um número considerável de hobbies é um alien desinteressante e sem ambições de maior. O que é importante é que as pessoas estejam a fazer alguma coisa...
Já não se pára para olhar, verdadeiramente olhar, o que nos rodeia tal é a correria. As relações tornam-se cada vez menos profundas pois o tempo de maturação das mesmas é passado em mil e uma actividades.
Acredito que esta necessidade de ocupação constante, para além de ser um reflexo da tamanha competição em que se tornaram as sociedades ditas civilizadas, esconde seres que não sabem viver a sós consigo mesmos. Pessoas que temem o silêncio. Que têm medo de parar. Que não sabem estar quietas observando a vida. Saboreando-a.
Por tudo isto, sorri ao ver estes bonequinhos. Parei, tirei a máquina fotográfica da mala, sorri. Fui sentar-me na mesa de um café a observar as pessoas que passavam na rua apressadas em vez de ir, também eu a correr, fazer as compras de supermercado.
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Confidências,
E a Terra continua a girar...
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
A Avó Judite...
Esta é a minha avó! (É porque apesar de não já estar entre nós, ela está sempre mim...) Foi a pessoa que mais me marcou e muito do que sou hoje devo-lhe a ela. Com ela aprendi como se sobrevivem contrariedades sem deixar de acreditar, confiar, amar e sorrir. Quando vem a bonança nada como uma valente gargalhada para limpar a alma.
Ao longo da vida foram muitas as despedidas: ficou órfã de pai e mãe aos 7, sozinha, entregue a um colégio até aos 18; casou e teve 8 filhos, mas não só viu partir o meu avô como 5 dos filhos. Mas toda esta dor não deu lugar a pessoa vencida, armada em vítima ou amarga. Tinha sempre um carinho e uma palavra amiga para todos e um miminho.
Teve 9 netos e 9 bisnetos. Mas todos os meus amigos, primos do lado do meu pai, vizinhos, etc., lhe chamavam, com carinho: "Avó Judite". E a legião de netos ia crescendo.
Era gulosa e bem disposta. Gargalhava com muita facilidade e dizia a rir: "dizem que rir faz bem à saúde, por isso é que eu cheguei a esta idade, ah ah ah ah ah".
Teve sempre uma saúde de ferro e um coração de fazer inveja a muitos jovens. Partiu há 7 anos, durante o sono com 94 primaveras bem vividas.
Teve uma marca positiva na vida daqueles com que se cruzou e deixou muitas saudades...
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Ó tempo, volta para trás!
Quantas vezes não pensamos: "quem me dera ser pequenina outra vez"?! Não ter os desafios, os obstáculos, as desilusões e as expectativas falhadas com que nos deparamos...
Poder dizer zangada "já não sou mais tua amiga!" quando nos chateiam, bater a quem nos rouba o brinquedo, virar as costas a quem nos aborrece e voltar sempre ao mimo do colo da mãe.
Saudades da minha infância. Das partidas do meu irmão que me dizia que as pessoas estavam atrás do móvel da televisão e que praticava em mim os seus novos golpes de judo e karaté. Dos chocolates e demais guloseimas que a minha irmã do meio me trazia e do carinho com que sempre me aturava. Das brigas com a minha irmã mais velha e das vezes que tinha de ir atrelada quando ela ia namorar (é que os meus pais deixavam-na sair com a condição de ela me levar...).
Da casa sempre cheia e barulhenta. Tios, primos, avós, amigos da família. Do panelão da sopa. Do cozido ao almoço de Domingo. Do gira-discos que tocava fado logo pela manhã ao fim-de-semana. De ir com a minha mãe à praça e ver a avó da Rosinha a cortar o caldo verde.
Tenho saudades da minha inocência. Das minha amigas Marta, Joana e Meluxa que conheço desde que me lembro de ser gente mas de quem a vida me separou. Dos meus avós que tomaram conta de mim até eu ir para a escola. Dos seus mimos, dos nossos passeios semanais à Feira Popular, das idas ao Jardim Zoológico, dos piqueniques no Castelo de São Jorge e de dar milho aos pombos na Praça da Figueira. Dos filmes que via no cinema Império: o Bud Spencer, o "Gente Gira", o "Dumbo"...
Mas cima de tudo sinto falta de mim. Da criança alegre, bem disposta e destemida que fui. Da isenção de maldade, da sinceridade e da entrega total e sem reservas.
Odeio quando a vida me corrompe, quando vejo pessoas a agirem com maldade, quando me deparo com hipocrisias. Detesto estar de pé atrás, a necessidade de ser céptica, o pensamento calculista que me tenta proteger de alguma forma e evita a minha exposição.
Ai quem me dera, ter outra vez 5 anos e um mundo a descobrir a meus pés ;-))
Foto: Eu, com quase 3 anos
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Setembro - Mês de Recomeços

Para mim o mês de Setembro sempre teve muita importância em termos de mudança. É o final das férias, o regresso às aulas, o final do calor infernal e as boas-vindas ao início do Outono. A renovação do guarda-roupa, a mudança da folha, o regresso às raízes com uma energia renovada pelo sol.
É um mês de maturação, de descoberta, de preparação para as resoluções do final de ano. Na minha família é um mês marcado por coisas boas e coisas terríveis, mas sempre mudanças radicais.
Setembro é o nono mês e em termos de numerologia o 9 representa a perfeição pois é o maior dígito. 9 meses de gravidez, 9 orifícios do corpo humano. O 9 assinala também o fim de uma fase de desenvolvimento espiritual e o início de uma fase superior (nas mais diversas religiões).
Talvez por tudo isto, sinta sempre um borbulhar inexplicável com a chegada de Setembro. Como aqueles carrinhos que se têm de puxar para trás, várias vezes, em curtos movimentos, para que depois eles saiam lançados, a uma velocidade incrível, das nossas mãos. Imparáveis. A energia que se esteve a ruminar ao longo do ano, para um qualquer objectivo, vai decerto sair-nos das mãos imparável em Setembro.
Até onde nos levará?
Foto: Porto Côvo, Dez 2004
domingo, 30 de agosto de 2009
Marcas perpetuadas em nós...
Partiste sem um aviso e num instante as nossas vidas mudaram para sempre. Ficou o vazio da tua presença física mas nos nossos corações estás tão vivo como sempre :)
Não há um dia que passe que não me lembre de ti. Frequentemente falo em ti, de ti, e rio ao recontar as tuas histórias, expressões e anedotas. Visitas-me muitas vezes nos meus sonhos e é sempre com grande alegria que te revejo.
O corpo que ficou fechado numa caixa debaixo da terra era teu mas não eras TU. Tu nunca nos abandonaste e não o poderás nunca pois fazes parte integrante de nós.
Hoje iremos novamente brindar à tua vida. Não há mais vontade de chorar a tua morte. Há sim gratidão por teres passado pelas nossas vidas, deixando a tua marca impertubável.
Foto tirada no Japanese Watergarden
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Vestígios do tempo
Fez três anos no passado dia 21 que aterrámos pela primeira vez em Schipol de malas e bagagens. Vínhamos com a promessa de mais oportunidades em termos profissionais, pessoais e até culturais. Com a mente cheia de ilusões e o coração cheio de dúvidas. O balanço tem sido muito positivo e conseguimos criar um lar neste pequenino canto do mundo. A nossa casa é onde nos sentimos bem e neste momento a nossa casa é aqui :)
Sentimos saudades do sol de Lisboa, da nossa rica gastronomia, de alguns lugares especiais, da família e amigos. Mas mesmo assim, não pensamos voltar!
Talvez o tempo nos leve para outras paragens mas nos planos a médio prazo Portugal aparece apenas como destino de férias ;-p Aquele lugar especial onde se volta sempre para matar saudades e para nos reencontrarmos com uma parte nossa que lá ficou e ficará para sempre!
Têm sido três anos cheios de descobertas, aventuras mil, encontros, realizações, passeios e gargalhadas. Três anos também eles repletos de saudade, de alguma solidão, de desafios muito complexos, de desajustes, de lutas e lições.
Mas valeu tudo a pena! De nada me arrependo! E sou feliz por poder ter o privilégio de ser uma "cidadã do mundo" ;))
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Dos Aeroportos...
Gosto da mística de ir esperar alguém. Do movimento louco da gente de todo o mundo. Da partida para um destino ansiado. Da chegada emocionante ao pé daqueles de quem tantas saudades temos. Da emoção estampada no rosto daqueles que se reencontram. Das flores, balões, cartazes. Das palmas e algazarra quando aquele que queremos ver atravessa a porta automática (que teima sempre em se fechar...).
E quando se vive longe o aeroporto torna-se numa segunda casa, num farol, num porto seguro... E esta tarde lá fui eu esperar a S. que nos veio retribuir a visita e passear por terras baixas :) Os próximos dias serão de passeata...
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